Flores no Campo dos Mortos

Flores no Campo dos Mortos

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WpMetadataNoticeLast published Wed, Jun 4, 2025
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Fiction
Romance
Século XIX. Em um Brasil alternativo: Carta encontrada no Campo dos Mortos. Goiás, 1879 A quem um dia encontrar estas palavras, saiba que não escrevo por esperança de ser salva. Escrevo porque a memória precisa resistir, mesmo quando os corpos já não podem mais. Ninguém sabe ao certo como começou. Talvez tenha sido a própria terra cansada de tanto sangue derramado. Primeiro vem a febre. Depois, os delírios. A pele esfria, os olhos se apagam... e então, dias depois, o corpo já não responde como humano. Anda. Procura. Caça. Mas não sente, não pensa, NÃO AMA. Eles... são como um cadáver que não aceita descansar. Uma fome que não se explica, que não se sacia. Uma mordida sela o destino e o corpo adoece. A alma... talvez fuja, talvez fique presa no vazio. Enquanto o império se escondeu por trás de seus muros dourados, fingindo que o problema não existia, nós aqui, no cerrado ficamos abandonados. Minhas irmãs e eu... Aprendemos que a vida de uma mulher nunca foi fácil. A diferença é que hoje não lutamos apenas contra aqueles que querem nos calar, mas contra aqueles que já não vivem... e ainda assim não nos deixam viver. Foi então que ele chegou. Um príncipe. Negro. Que carrega nas veias tanto o sangue dos opressores quanto o peso das contradições de sua coroa. Abandonou os muros em busca de redenção. Veio buscar guerreiros... e encontrou algo que não esperava. Ao lado dele, caminhava outro homem. Frio. Calado. Um comandante que enxerga mapas, estratégias e números... mas não enxerga as próprias emoções. Nossos caminhos se cruzaram e com o príncipe, nasceu algo inesperado. Um amor que é, antes de tudo, parceria, admiração e luta. Com o comandante... nasceu uma guerra particular. Duas forças que se chocam. Que se testam. Que se provocam. Até que se percebem... talvez... destinados. Se esta carta chegou até você... Saiba: Nem tudo que anda... está vivo. Nem tudo que vive... merece. Amarílis.
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