Eu a olhava como se de alguma forma conseguisse absorvê-la e, enquanto a observava, lembrava de todo o passado que ambas trazíamos nos ombros. A encarava numa tentativa débil de decifrá-la, e me questionava como alguém tão pequena, de certa forma, conseguia saber tanto e ter a consciência de que sabia exatamente cada vírgula que se passava em minha mente. A única coisa que eu tinha certeza, desde o momento em que nossos olhos haviam se reencontrado, era que ela havia se tornado algum tipo de vício, daqueles que não existe reabilitação. O amor pode ser considerado a droga mais barata de se usar, e também a que causa mais danos consequentes. É uma das únicas que pode chegar a corromper a alma. E você continua a caminhar, mesmo sabendo que o caminho é bifurcado, e um dos lados pode levar à guilhotina. Eu não acreditava em superstições, isso era fato. Mas fechei os olhos com força na hora que soprei aquelas pétalas. Quase como se isso fosse fazer com que o pedido fosse realizado mais rápido. Eu sabia o quanto a curiosidade a corroía para saber o que eu havia pedido, e sabia que não ia desistir tão fácil. Mas agora, mais do que nunca, eu precisava que ele se realizasse. Por isso, pedi baixinho, mais uma vez, às pétalas que nessas horas dançavam pelos céus: que, dessa vez, o destino esteja ao nosso favor.
Um amor.
Uma amizade.
Duas vidas entrelaçadas.
Duas pessoas completamente diferentes mais que se completam como ninguém.
Um noivado.
Um acidente.
Um futuro interrompido.
A vida é como um sopro que logo se esvai.
Ela é como um roteiro de um filme já escrito por aquele ser supremo. Sempre acreditei que todos nessa vida nascem com um propósito e que quando ele é alcançado deixamos esse plano para viver em outro. Eu sabia qual era o meu e acredito fielmente que conseguir alcançá-lo, por isso, eu sabia que tinha chegado a minha hora de partir, eu sentia isso dentro de mim. Mas, eu precisava me despedir antes, eu precisava ver se ela estava bem. Eu aceitava o fim, mas não iria antes de me despedir. Minha história já tinha sido escrita e hoje eu estava chegando na última página do livro, eu não sabia que terminaria assim, mas agora, vendo como tudo começou não tinha como ter um outro final. Nos conhecemos por um acidente do destino e tragicamente por ironia, nossa história de amor teve seu fim em um.
Eu sabia que minha missão tinha sido cumprida, eu sabia que tinha realizado ela com sucesso. Minha missão de vida foi te amar Juliana, foi te fazer forte, foi cuidar de você e eu fiz até o último dia da minha vida.
obs. Estória de minha autoria, tinha iniciado ela na versão NATIESE porém não dando continuidade e pra dar uma chance a fic resolvi adapta-lá para JULIANTINA.