tudo que ainda me restou

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WpMetadataReadContenido adultoConcluida sáb, feb 29, 2020
não sei se é história, texto, poesia, conselho ou desabafo. só sei que escrevi e preciso mostrar para quem estiver disposto a me aguentar. você está? esse livro é para quem já passou por poucas e boas. para quem é intenso e quem não é tanto assim também, porque cada um sente à sua maneira. é para quem sente o amor à cada batida do seu coração e que se joga sem medo, mas também para quem se encolhe porque já sentiu demais o peito arder de dor e teve que juntar os cacos sempre que alguém chegou, fez o estrago e partiu. é para quem quer e precisa buscar refúgio porque se sente exausto e não encontra lugar para se acolher. no final, toda entrega vale à pena. dos ferimentos mais abertos e das tempestades mais destruidoras, só nos resta a transformação. a evolução. e eu espero que ao menos alguma coisa daqui te faça enxergar que você não é um erro. não espere capítulos coerentes porque talvez sejam conteúdos aleatórios, não sei. você terá que ler para descobrir. fique à vontade. tome uma xícara de café ou chá ou o que preferir. ofereço meu ombro, caso queira desabafar. sinta-se acolhido(a).
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Existem alturas na vida em que a coisa fica feia. Descobres que aquele que achavas ser o fundo do poço, afinal não é, porque a porra do fundo do poço fica sempre um bocadinho mais abaixo. Mas sabes que mais? Também tu tens mais força do que aquela que achavas que tinhas. Tens mesmo. Por isso se diz que o frio é sempre do tamanho do cobertor. Aquilo que eu descobri com a viagem interior que comecei (e continuo) é que podemos (e devemos) aproveitar os "fundos do poço da vida" para nos impulsionarmos de volta à superfície. Descobri que somos sempre mais capazes do que o que julgamos ser e que as certezas que (achamos que) temos não têm nada de certo e é precisamente aí, nessa capacidade de procurar mais perguntas do que respostas, que a vida se faz. Descobri que quem não tem pé não pode dar coice, como diz a minha mãe. Isto trocado por miúdos, quer dizer que cada um de nós só dá de si aquilo que tem lá dentro. Dar mais ou menos depende de cada um, não de nós, por mais que gostássemos de poder mudar isso. Aprendi a aceitar que não é possível (além de ser absolutamente desnecessário e uma tremenda canseira) agradar a toda a gente e que aquilo que acham que sabem sobre ti não é problema teu. Quando a vida pega em ti e te deita ao tapete uma e outra vez, tens que lhe mostrar a tua veia de "sempre em pé". Vais cair, sim senhora, esfolar mãos e joelhos mais vezes do que gostarias, mas começas a levar cada vez menos tempo a levantar-te. Vais saber escolher melhor os combates que valem a tua energia. Chama-se resiliência e é a chave para uma existência feliz.

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