Pássaro Azul

Pássaro Azul

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WpMetadataNoticeLast published Sun, Mar 24, 2019
Vovô um dia disse que você só conhece alguém de verdade através da reação desse alguém diante de um pôr-do-sol. - O que vocês pensam quando olham para um pôr-do-sol? - perguntei do nada. Julia, como sempre, foi a primeira a responder: - No movimento circular da terra. Nicolas estava distraído demais olhando para Julia que nem respondeu. - Eu lembro de bosta decantada. - Bruno falou, fazendo os outros rirem. - Uma vez meu primo me levou até o laboratório do pai dele e me mostrou como eles armazenavam a merda e fica quase da mesma cor. Marrom e laranja. - Que nojo! - Lorena gritou. - Eu lembro do primeiro figurino que eu usei numa apresentação de balé. Eu era o outono. Pôr-do-sol sempre me faz lembrar de outono, não sei porquê... Ninguém me perguntou o que eu pensava, o que para mim foi um alívio. Fiquei olhando o horizonte dourado com tons de vermelho, me imaginando voar pelo céu de cores aquareláveis, até alcançar os últimos resquícios de azul que ainda pintavam o céu. Naquelas cores eu via a síntese do que chamam de liberdade.
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Em um momento de rebeldia (como sempre), o pai de Sophie se cansa de sua malcriação e decide levar toda a família para passar uma temporada na Dinamarca, já que ele planeja expandir sua grande empresa de advocacia. O que Sophie não esperava era que seu pai a colocaria em uma escola de bons modos, onde ela conheceria Emma Lancaster, a princesa da Dinamarca. Sophie já a desprezava; odiava estar em um lugar onde havia uma princesa estudando, já que todos falavam de sua perfeição. Para ela, "ninguém é tão perfeito", e ria quando chamavam a princesa de "paz". A partir do dia em que se tornaram colegas de dormitório, Sophie sabia, bem lá no fundo, que Emma iria virar seu mundo de ponta cabeça. Emma sentia o mesmo, mas ambas estavam cegas por frustração, confusão e um ódio destilado uma pela outra. Emma não suportava a presença de Sophie; detestava ter sua cadeira na hora do almoço na frente da dela e nunca olhava para cima, apenas para a comida. Tinha raiva de olhar para aquela garota tão repugnante. Ela só poderia ser o caos em pessoa, e jamais se juntaria ao caos, nem por um momento. Era isso que elas pensavam, mas até seus gostos voltarem a fazer sentido, as piadas voltarem a ser engraçadas e a companhia se tornar pelo menos um pouco agradável, as risadas e as vozes voltarem a ser boas de ouvir... e o desejo pelo toque ressurgir com toda força. Suas mentes e corações poderiam gritar para que não se aproximassem, que não ficassem juntas, mas suas almas se esforçavam cada vez mais para que isso acontecesse. A alma de cada uma clamava pelo amor... Mas será que aconteceu? Dessa vez, o ditado "Os opostos se atraem" funcionou? Ou seria mais apropriado dizer que "Os opostos se atraem, mas não funcionam juntos"? Elas vão se amar? Vão se entregar? Deixar o mundo virar de ponta-cabeça? Deixar seus hobbies e vícios serem julgados e ordenados a parar? Deixar tudo aquilo que defendiam ir embora com o vento?

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