A Primeira Chave

A Primeira Chave

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WpMetadataNoticeLast published Wed, Dec 16, 2020
Naquele instante ele percebera que toda sua vida havia sido pautada em mentiras. A vila nos arredores de Vitae havia escondido os escravos e o terror da guerra. O amor de seu pai havia abafado a dor que ele sentia por sua mãe ter deixado o mundo quando ele adentrara nele. Naquele instante ele pudera perceber que sempre tivera algo de errado, mas que a proteção seu pai e tios nunca o permitira ver. O dragão branco continuava a lhe desferir chamas e ele somente conseguia pensar nos dias em que seu melhor amigo ainda estava vivo, em que seu tio não havia tentado lhe matar, que seu pai não era o homem que escondera, mentira e matara para que ele pudesse viver contos de fadas. Meglium não conseguia entender ao certo como seu mundo colorido e cheio de vida havia se tornado doloroso e horrível. Somente quando o corpo do grande dragão branco se chocou conta o dele fora que seu transe cessara e ele voltara para a realidade. Não haviam mais escolhas. Nunca houvera um mundo belo. Somente haviam seis povos e uma guerra. E a ele somente havia uma coisa a fazer: lutar
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Sofia sentia o peso de sua mochila em suas costas, mas não era o peso físico que a consumia. Era a bagagem emocional, as expectativas da família, os sonhos não realizados, as decepções que a acompanhavam em cada passo. Ela olhou para as ruas movimentadas de Seul, um lugar tão distante e diferente do Brasil, mas, ao mesmo tempo, estranhamente familiar. A cidade parecia pulsar com uma energia vibrante, mas Sofia não conseguia se sentir parte dela, como se fosse uma espectadora de sua própria vida. Chegar ali não havia sido uma decisão fácil. Havia algo dentro dela que gritava por mudança, por um novo começo, mas ao mesmo tempo, o medo e a insegurança a paralisavam. Ela nunca imaginou que sua jornada fosse ser tão solitária, tão carregada de incertezas. Deixar para trás sua família, seus amigos, sua vida no Brasil... tudo isso parecia tão distante agora. Mas a dor do passado não se apagava facilmente. Ela ainda sentia as cicatrizes de um amor não correspondido, a dor da traição de um amigo que sempre esteve ao seu lado, e a sensação de que nunca tinha vivido de acordo com suas próprias escolhas.

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