"Respirei fundo, afastei as ideias da minha cabeça. Foquei no que importava ali: a ladra. Fiz mais uma ronda na sala e voltei para o meu lugar. Ficar no canto próximo a porta me ganharia mais alguns segundos antes de ser notado. Chequei meu revólver, estava carregado, mas eu não pretendia desativar a trava de segurança. Usaria aquilo para convencê-la de que não teria tempo de fugir. Apoiei a arma na minha coxa. Mais caças passaram. Esperei por mais algum tempo. Comi mais um alcaçuz. Até que finalmente a porta abriu, de início temi que fosse Tunésio vindo pedir para pegar os doces. Mas logo vi que era outro aficionado por açucares. A sua silhueta era esguia, um ser delgado com aparência delicada. Aquilo fez muito sentido, considerando que a ladra era especialista em entrar por passagens inacessíveis. Ela estava vestida com um conjunto de peças rentes de cor escura, destacando suas curvas e a sua cor. Eu devia ter dado voz de prisão, mas não notei estar enlaçado por aquela imagem. Estava distraído em minha própria análise."
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