La Tregua.

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WpMetadataNoticeLast published Wed, Apr 3, 2019
(...) Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que eu fazia, como eu vivia - elas me perguntaram por quê. Mas não faz sentindo falar com pessoas que têm um lar, elas não têm ideia de como é procurar segurança em outras pessoas, procurar um lar onde você possa descansar a cabeça. Sempre fui uma menina incomum, minha mãe me disse que eu tinha alma de camaleão. Nada de uma bússola moral apontando para o norte, nada de personalidade fixa. Apenas uma determinação interna que era tão grande e oscilante quanto o oceano. E se eu dissesse que não planejava as coisas desse jeito, estaria mentindo, porque eu nasci para ser a outra mulher. Eu não pertencia a ninguém - pertencia a todo mundo, não tinha nada - que queria tudo com o fogo de cada experiência e uma obsessão por liberdade que me assustava tanto a ponto de nem conseguir falar sobre isso - e me empurrou para um ponto nômade de loucura que tanto me deslumbrava quanto me deixava tonta. Toda noite eu costumava rezar para achar pessoas como eu - e finalmente achei - na estrada. Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar, nada que desejássemos mais - exceto transformar nossas vidas em uma obra de arte. Viva rápido. Morra jovem. Seja selvagem. E se divirta. Eu acredito no que a América costumava ser. Eu acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da estrada. E meu lema é o mesmo de sempre - acredito na gentileza dos estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma, eu ando por aí. Só ando por aí. Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais escuras? Você criou uma vida para você mesmo na qual é feliz para experienciá-las? Eu criei. Eu sou louca pra cacete. Mas eu sou livre.
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Eu não sabia que podia sentir tanto por alguém sem perceber o quanto isso já me mudava. Não foi um raio, um estalo, um "eureca". Foi devagar. Foi em silêncio. Foi em olhares rápidos durante a aula, em trabalhos em grupo que pareciam durar pouco, em conversas que eu fingia não guardar - mas que moravam em mim. Lara chegou antes do sentimento ter nome. E eu demorei pra entender. Demorei pra aceitar que aquele frio no estômago, aquele jeito de procurar ela no corredor sem querer, aquela paz estranha quando ela sorria... era mais do que amizade. Era mais do que eu imaginava possível pra mim. Agora, olhando pra trás, eu vejo que me apaixonei muito antes do primeiro toque. E o mais louco é que ela já sabia. Ela já sentia. Esperava por mim sem dizer. Traduzia o que eu não ousava confessar. Essa é a história do que começou quando eu finalmente parei de fugir de mim mesma. E comecei, enfim, a viver.

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