O Limbo
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WpMetadataNoticeLast published Wed, Mar 25, 2020
Lembro-me exatamente do momento em que cheguei nesse imenso vazio, meu rosto ainda estava cheio de sangue, meus braços estavam machucados, com várias seringas injetadas, mas eu não sentia dor. Eu dirigia por alguma avenida aleatória em horário de pico, até tudo em minha frente se apagar. Quando cheguei, apenas gritava por toda essa dimensão, perdido. Aqui não existe céu. Não existe chão. Não existe nada, e o nada talvez seja a coisa mais difícil de se explicar. O nada não tem cor, não tem cheiro, não tem rumo, não tem brisa soprando seus cabelos, não tem o sol queimando sua pele, eu me sinto flutuando num enorme breu. Eu não vejo a face de Deus, provavelmente não verei, também não me sinto vagando pelo inferno. Eu costumo chamar este lugar, condição ou dimensão, de Limbo.
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#46
paraíso
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Te encontrei, pela primeira vez, um garoto de olhos castanhos e cabelos escuros quase pretos como o céu da noite, seus olhos pareciam mostrar mais do que você gostaria, mas pelo breve momento que nossos olhos se cruzaram dentro daquela livraria não consegui tirar de minha mente o quão parece que existe uma constelação inteira a ser explorada através de seus olhos. Por um momento senti como se estivesse lendo meus livros favoritos pela primeira vez novamente, por um momento senti como se estivesse mergulhando em aventuras loucas com meus personagens favoritos, por um momento senti como se meus cantores favoritos estivessem cantando minhas músicas preferidas naquele lugar, através se seus olhos... Te encontrei por acaso em uma das minhas livrarias, depois novamente em um café onde sempre frequentava por ser ao lado da mesma livraria na qual trabalhava, depois novamente em um parque passeando com meu cachorro, depois novamente e novamente e novamente em momentos aleatórios, lugares qualquer. Como se o vento quisesse me trazer a você, como se o universo tentasse me mostrar algo, me sussurrar algo

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