A Panaceia [CONCLUÍDO]

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WpMetadataReadMatureComplete Wed, Dec 23, 2020
"Entre duas colossais montanhas negras na região extremo-sul da Ilha Macabra, havia um buraco bem fundo e sinistro, o dito Poço das Sombras. Era ali que bestas demoníacas dos mais variados tipos e raças atiraram-se no fim de suas vidas medíocres, deixando que seus corpos se decompossem até finalmente se tornarem parte daquele líquido putrefato. Mesmo a uma boa distância, já era possível sentir o fedor enlouquecedor que dali provinha. Ao aproximar-se da beirada, não esperou por nenhuma ordem, antevendo o que precisava ser feito e mergulhando de cabeça nas águas da morte. Sentiu toda aquela impureza tomar conta de seu corpo, mergulhando cada vez mais fundo. Vislumbrou vultos agoniados, escutou clamores póstumo e sentiu o sabor característico daquilo que já deixou há muito de existir. Quanto mais fundo submergia, mais alto e claro podia ouvir aquele repetitivo cântico liturgico entoado por Lilith a embalar seu espírito errante: Que a sua alma seja abraçada pelo Caos. Que a sua mente seja sufocada pelo Mal. Que o seu corpo converta-se ao obscuro. Funda-se com a densidade das Trevas... Para que sejas merecedor da terrível Lâmina da dor!" *** Enquanto uma terrível doença nomeada de Thanatos assola a humanidade, os sobreviventes da batalha no Cemitério Recanto Inefável estão proibidos de sair da segurança da luxuosa Fortaleza Andrômeda. Já em Zóriam, Órian e os demais Sensis buscam uma maneira eficaz de atravessar os mantos dimensionais para encontrar aquela que foi roubada de seu mundo. Yoddün, o Profeta Apocalíptico, encontra-se enterrado num tipo de hibernação energética, acumulando um poder incomensurável. Seu intento? Extinguir a raça humana. Quem poderá detê-lo? A única esperança está numa Profecia, em oito escolhidos, um Caduceu e em muito sangue e lágrimas.
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No alvorecer de um novo ano, sob o céu tingido pelo rubro nascente, a Fortaleza Vermelha despertava com o peso dos dias vindouros. Era uma manhã como tantas outras na corte do rei Viserys I Targaryen, mas para a mais jovem das princesas, o destino desenhava-se em traços ardentes. Alyssa Targaryen nascera quatro invernos após sua irmã, a princesa Rhaenyra. Seu primeiro choro ressoara pelos salões de Maegor com o pesar e o alívio de sua mãe, a rainha Aemma Arryn, cujo ventre já conhecera a dor da perda. Mas Alyssa sobrevivera, florescendo como uma chama branda em meio aos espinhos da corte. Foi aos oito anos que seu destino se entrelaçou ao de seu dragão. Na Pedra do Dragão, sob o olhar severo dos tratadores e a expectante supervisão do próprio Príncipe Daemon, Alyssa aproximou-se da criação que lhe fora prometida. Quando montou em Valerion pela primeira vez, o coração de Alyssa martelava como o soar dos tambores de guerra. O dragão se ergueu sobre suas patas traseiras antes de se lançar ao céu, e ela gritou - não de medo, mas de êxtase. Alyssa Targaryen não era mais apenas uma menina. Era uma cavaleira de dragão. A Fortaleza Vermelha celebraria seu retorno, com a princesa coberta em fuligem e cheirando a fogo. Viserys sorriria, Aemma enxugaria uma lágrima silenciosa, e Rhaenyra correria ao seu encontro, o orgulho e o afeto dançando em seus olhos. Mas para Alyssa, nada mais importava. Naquele dia, entre as nuvens tingidas pelo sol poente, ela compreendeu que sua vida jamais pertenceria apenas aos corredores de pedra fria. Seu destino era maior. Seu destino era o céu.

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