"O amor, para mim, já não tinha o gosto doce de antes. Deixara de ser aquele fogo arrebatador que me consumia por dentro, de ser a promessa silenciosa de eternidade em um simples toque. Tornara-se frio... mecânico... previsível. Um refúgio vazio onde eu buscava apenas alívio, nunca mais sentido.
Os olhares já não diziam nada. As palavras, quando vinham, eram ocas - ecos de algo que um dia foi verdadeiro. E, ainda assim, eu me permitia ficar. Talvez por hábito. Talvez por medo. Ou talvez por não acreditar mais que o amor pudesse ser diferente.
Até que...
Num instante quase insignificante, algo mudou. Não foi grandioso, nem imediato. Foi sutil - como um sussurro na escuridão, como um arrepio inesperado que percorre a pele sem aviso. Um detalhe. Um gesto. Um olhar que demorou um segundo a mais do que deveria.
E foi ali que percebi... talvez o amor não tivesse morrido.
Talvez eu apenas tivesse esquecido como ele realmente se sente."
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