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WpMetadataNoticeLast published Wed, Jan 8, 2020
Abro os olhos, e os fecho novamente, me permito vagar um pouco. Ainda não sei se é dia ou noite, se existe só dia, ou só noite, não sei quanto tempo duram. Não sei onde estou. Não sei como é por aqui, como esse lugar é chamado. Qual o satélite, se este, é natural ou não. Se é habitado, se tem líquidos e pedras, se os habitantes já aprenderam a usar, quão desenvolvidos são os seres daqui... Ainda não tenho ideia de quais são as estrelas e constelações próximas se é joviano ou telúrico, quais seres habitam aqui, nem do que eles se alimentam. Não sei nada sobre o presente, passado, nem futuro. Ainda. Mas basta conferir os dados de informações que consigo saber. Nunca compreendi quem sou nem qual o propósito disso tudo que vivi, acordar sempre em planetas ou estrelas diferentes e aleatórios, sejam eles habitáveis ou não. Nunca. Eu não escolho a época temporal que chego aqui mas posso decidir entre ir e voltar no tempo dependendo da forma de contar deles, consigo ir e vir em todas as dimensões, inclusive no que chamam de tempo. Porém, todo o controle, informações e acessos que tenho sobre os astros é descontado na falta de controle de mim mesmo, não sei qual o meu planeta de origem, nem como eu surgi, nem o que faço aqui, nem nada. Não sei sobre meu começo e muito menos meu fim, a única coisa que tenho certeza é que esta é minha jornada. --------------------------------------------- História fictícia de minha autoria, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. PLÁGIO É CRIME Boa viajem. Com amor, Larissa Paiva.
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Muito se fala sobre o amor duradouro. É compreensível: no mundo das relações líquidas, em que a moda muda a cada estação e o capitalismo te convence que aquele celular que você dividiu em trinta e seis prestações já não é assim tão legal, as pessoas querem algo que permaneça. Que sobreviva. Que não desperte o desespero de viver em um mundo no qual a mudança já faz parte da lei de sobrevivência. Ou você está em um constante processo de adaptação, ou você é engolido pela seleção natural. Mas a vida é feita de ciclos: as estações do ano, as fases da lua, a replicação de células. Alguns ciclos duram mais que outros, no entanto. Entre o verão e o outono há três meses. Nosso satélite natural leva vinte e oito dias para ir de uma lua cheia à outra. As células do nosso corpo demoram entre 7 e 10 anos para se renovarem completamente. Você, por exemplo, pode ter passado dois anos e meio apaixonada pelo seu primeiro amor. Ou talvez esteja muito bem, obrigada, em uma relação saudável e com uma transa semanal há cinco anos. Mas e se tudo o que você tivesse fossem 12 horas? O que é preciso parar chamar um ciclo de uma história de amor? Será que são necessários os meses de conquista, dois ou três jantares à luz de velas, um almoço na casa dos pais, uma lista de compras conjunta e um plano Duo no Spotify? Ou será que tem algo a ver com forma como dois olhares se comunicam, dois sorrisos se cativam e duas mentes se conectam, mesmo que só por uma noite? Você se apaixonaria pelo som da risada de alguém se soubesse que nunca mais a ouviria de novo? Bem, eu não sou a melhor pessoa do mundo para responder esse tipo de pergunta. Mas conheço duas que podem ajudar a resolver esse mistério.

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