Diário De Uma Cúmplice

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WpMetadataNoticeLast published Fri, Apr 23, 2021
"Meu nome é Christine, ou pelo menos costumava ser. Professora numa escola infantil, eu levava uma vida bem normalzinha, meio sem graça, até que numa noite eu o vi. começou uma paquera descompromissada, daquelas que acontece quando você ver um cara gato do outro lado da rua. Ele me olhou e eu olhei pra ele e sorri. Esse joguinho de sedução poderia ter terminado num café, ou quem sabe em um namoro, se ele não tivesse se aproximado de mim e me apontado uma arma. Não sei o que me deu para salvá-lo da polícia e abrigá-lo na minha casa. Burrice? Solidão? não tinha a menor intenção de me tornar cúmplice de um criminoso. Mais seu olhar quente, sua fala mansa e sedutora me enlaçaram de tal forma que, de repente, eu me vi no meio de um turbilhão de acontecimentos. Agora refém da paixão por aquele homem, só me restava relatar em um diário como fui me envolver - mais de corpo do que de alma - com a maior quadrilha do país."
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Eu não sabia que podia sentir tanto por alguém sem perceber o quanto isso já me mudava. Não foi um raio, um estalo, um "eureca". Foi devagar. Foi em silêncio. Foi em olhares rápidos durante a aula, em trabalhos em grupo que pareciam durar pouco, em conversas que eu fingia não guardar - mas que moravam em mim. Lara chegou antes do sentimento ter nome. E eu demorei pra entender. Demorei pra aceitar que aquele frio no estômago, aquele jeito de procurar ela no corredor sem querer, aquela paz estranha quando ela sorria... era mais do que amizade. Era mais do que eu imaginava possível pra mim. Agora, olhando pra trás, eu vejo que me apaixonei muito antes do primeiro toque. E o mais louco é que ela já sabia. Ela já sentia. Esperava por mim sem dizer. Traduzia o que eu não ousava confessar. Essa é a história do que começou quando eu finalmente parei de fugir de mim mesma. E comecei, enfim, a viver.

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