Papa anjo

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Mar 26, 2020
Tenho 32 anos e já sou uma das mulheres mais renomadas do País. Mas isso não me pareceu suficiente. Eu sempre quis mais. Sempre quis fama. E esse desejo me levou a ter essa "má fama". Poderia ter ficado só com meus prêmios na academia de letras, ou o prêmio de melhor mãe do ano. Mas não, eu sempre quis mais e mais. Minha fama de "Papa anjo" começou quando eu ainda era jovem - aproximadamente uns 16/17 anos. Comecei a me relacionar com pessoas mais novas que eu e isso não fez nada bem para a minha, já destruída, imagem social. Amo dizer que se não fosse meus "gados babys" nunca teria sobrevivido ao colegial naquela época. Todo mundo se pegava e eu pegava quem ninguém queria pegar, pois eles ainda estavam aprendendo a parar de brincar e começando a beijar, ser a professorinha deles era muito divertido e mais divertido ainda, era que eles se apegavam fácil demais em mim. Meus amigos me chamavam de Papa anjo desde que descobriram minha primeira pegação. Eu ainda morava com a minha tia na Cidade Valparaíso de Goiás, era meu último ano no Bueno e havia um menininho do sexto ano no meu pé, eu sempre dei bola mas nunca havia pegado ele. Me lembro como se fosse hoje. Eu e minhas amigas comemorávamos o término das aulas quando ele apareceu se lamentando por não ter pegado ninguém naquele ano e que a menina que ele gostava ia sair da escola - no caso eu - então lhe dei um beijo. Para mim aquilo não foi nada demais, mas para ele foi o auge. Minhas amigas só sabiam rir e debochar da cara dele. E assim minha longa trajetória de Papa anjo começava. Me mudei de casa depois daquele ano. Era cidade, pessoas, amizades novas e claro, muitos novinhos. Assim que cheguei na cidade de Mundo Novo, minha história não mudou. Comecei a me relacionar com um menino da minha turma, coincidência ou não, ele é mais novo que eu. Podemos ver que já não comecei bem. No mesmo ano, fiquei com uns cinco menino mais novos que eu. E daí em diante, não parei
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Esta é uma história baseada em fatos reais, onde relato minha convivência com minha mãe e um período marcante da minha vida em um lugar sujo, sombrio e miserável - que chamo de "calabouço". Desde o meu nascimento, passo pela infância, juventude e idade adulta, contando a dura e sofrida caminhada de Dona Laura, minha mãe. Uma mulher que abriu mão de inúmeras oportunidades para defender e proteger seu filho. Narrando relacionamentos, convivências, comportamentos e a personalidade dessa mulher forte, exponho tudo o que Dona Laura enfrentou: discriminações, decepções, angústias e perdas. Com o tempo, compreendi o que uma mãe é capaz de fazer por amor, lutando até os momentos mais críticos da velhice. Ao observar sua trajetória, me vi submetido a situações que jamais imaginei suportar. Conto a história de um adolescente simples, humilde, inicialmente irresponsável - voltado apenas aos entretenimentos e amizades. Um jovem sem compromisso, que acabou perdendo grandes oportunidades, mesmo ainda tão novo. Revelo como aprendi a lidar com a extrema escassez e miséria, vivendo em um ambiente violento, tomado por bebidas e drogas. Me perguntava todos os dias: "Como sair daqui?". Às vezes, até me conformava em morrer ali - fosse pela violência, pela fome, por uma doença qualquer ou, quem sabe, pela velhice consumida pelo alcoolismo. Espero que tenham uma ótima leitura, que consigam mergulhar um pouco nesse universo que vivi e que, de alguma forma, absorvam a mensagem real e humana que esta história tem a oferecer. Boa leitura.

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