Viver um período pandémico é algo de extraordinário para todos nós. Algo para o qual cada um tem a sua própria percepção. E esta percepção é tão diferenciada quanto a vivência, quer dos factos, quer da forma como foram interpretados ou valorizados. Cada um tem as suas razões, os seus estigmas, para aceitar e se adaptar, ou não, a esta nova ordem social. Um vírus conhecido por Covid-19 e que abalou não apenas o nosso pequeno rectângulo, mas o mundo inteiro. E é por este enquadramento de ideias, assente em parâmetros socias e de sensibilidade humana - a do autor - que enquadramos esta estória. E ela é apenas o ponto de vista de alguém que é velho, tão velho que a idade já não conta, só desconta, e para quem a vida só faz sentido se estivermos de bem com ela e connosco próprios. A proposta é simples e o desafio aqui revelado é tão-somente o de valorizarmos o presente em função do passado. E aqui, o presente e o passado misturam-se confundindo-se numa promiscuidade latente entre páginas de um Diário. E na narração destas páginas somos, repetidas vezes, atirados contra outra realidade, remetendo-nos, através do subconsciente, para outras vivências, outras páginas, outros acontecimentos marcantes da nossa vida e sobre os quais reflectimos agora, nesta fase de pandemia, em pleno período de pandemia. Depois de quarenta e um dias de quarentena, estes quarenta e um capítulos que compõem esta estória são como se cada um deles representasse e refletisse a vivência e o sentir deste período, entre Março e Abril o ano da graça de 2020, sendo que, na ambivalência deles, somos projectados para um outro e verdadeiro pandemónio literário, este e no qual o nosso dia-a-dia se transformou. O texto foi escrito sem concordância com o acordo ortográfico.
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