"- Você sabia que o silêncio é branco? - a latina me perguntou, tirando os olhos do livro que estava lendo pela milésima vez.
- Não. - respondi apenas, fitando seus olhos castanhos.
- Pois é. Na verdade, o branco é uma cor que eu não suporto. Ela não tem limites. - franziu o cenho, colocando o marcador no meio do livro de capa gasta, antes de fecha-lo, e deixar a sua atenção totalmente em mim. - Ou melhor, branco não é sequer uma cor. Não é nada, é como o silêncio. - ela estava tão linda em seu monólogo, que não ousei a interromper. A maneira em que seus lábios se moviam, e as palavras saiam, eram fascinantes. - Já o vermelho, por sua vez, é a cor do amor, da paixão, do sangue, do vinho.
- Vermelho também é a cor dos seus lábios quando você pega uma chuva fria de outono. - comentei. - Ou qualquer hora do dia. Basta apenas prestar atenção em seus detalhes.
- Então, convenhamos. Amamos o vermelho. Não vemos utilidade nenhuma no branco. - analisou o objeto nas próprias mãos, voltando o olhar para mim. Percebi que seus olhos estavam marejados. Então ela praticamente sussurrou. - Branco representa tudo aquilo que poderíamos ter, e não temos. Branco representa o que está tomando conta de você agora, e nem o meu vermelho pode te ajudar."
Após a perda da mãe, Camila se vê em uma nova família, e um novo país. Agora, cercada por sua nova "mãe" e seu irmão postiço, ela sente que as coisas não serão fáceis, ainda mais a convivência com o novo "irmãozinho" que se acha o centro do mundo.
Dez anos depois, um sentimento brota, mostrando a Shawn e Camila, que o ódio entre eles significava muito mais que uma simples guerra idiota.
Mas tudo se perde quando a cubana, mas uma vez, é obrigada a lidar com o sentimento de perda.
"- A ausência do seu silêncio se tornou ensurdecedora. Por favor, diga que ainda está aí."
Baseado no livro italiano Bianca Come Il Latte Rossa Come Il Sangue
Cinco anos haviam se passado e Camila continuava sua busca por Lauren. Todos diziam que ela precisava superar sua dor e seguir em frente, mas como seguir sem deixar de sentir, não ouvir e até mesmo se iludir?
O tempo havia passado, o mundo havia mudado e as pessoas haviam crescido, amadurecido e por mais incrível que pareça, aqueles maravilhosos olhos verdes se abriram novamente...
De repente, Camila percebeu que revirar o mundo todo atrás de Lauren havia se tornado o menor de seus esforços quando seu maior problema acabou se tornando seu principal motivo para lembrar Lauren de que a latina já havia conquistado seu coração e que aqueles intensos olhos castanhos já lhe foram importantes um dia.
"Seu corpo sabia que ela me pertencia, eu só precisava descobrir uma maneira para que ela entendesse de uma vez por todas que os sinais eram claros, nem em um milhão de anos eu desistiria de Lauren. Levei cinco anos lutando, não importaria em levar mais cinco..."
Capa: Bárbara (Autora de A Última Legião)