A árvore de Atena

A árvore de Atena

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WpMetadataNoticeLast published Fri, Aug 21, 2020
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Fiction
Mystery
Ao nascer recebi o nome de uma deusa da mitologia grega, para que eu fosse abençoada com sua força e pudesse superar os obstáculos que surgiriam ao longo da vida, mas apesar dos esforços de meus pais para me proteger, eu passei por diversos momentos difíceis desde criança. Eu não lembro do meu pai, ele morreu em um acidente de carro e eu era muito nova sendo incapaz de armazenar lembranças, após sua morte, eu e minha mãe ficamos sozinhas, mas apesar de toda tristeza minha mãe se manteve forte, como uma guerreira. Mas ela era muito jovem e tempos mais tarde, ela começou a sentir falta de um amor como o que meu pai tinha por ela, então ela conheceu Nícolas meu padrasto, que se tornou um pai para mim. Tudo parecia melhorar com a chegada de Nícolas em nossas vidas. Mas tinha alguma coisa em Nícolas que não conseguíamos enxergar, pois minha mãe estava cegamente apaixonada, e eu era uma criança feliz por ganhar um pai. Mas infelizmente como tudo que é bom acaba, aos meus 12 anos minha mãe fica doente, eu achei que era só mais uma fase ruim e passageira, mas aparentemente as coisas só tendem a piorar, e a sensação que eu tinha era que a cada passo de progresso eram cinco ou dez de regresso, e as fases ruins pareciam só aumentar, eu perdi o controle e me acostumei com alguns desses problemas e desde então vivo uma vida dupla e de aparências, para esconder das pessoas o que realmente se passa por trás das cortinas. Quando eu era criança lembro de ser muito sonhadora, e meu maior sonho desde criança era ser feliz a todo custo, independente de toda dor, sofrimento e toda escuridão que habita esse mundo e as pessoas que vivem nele, e se tem uma coisa que eu sou além de sonhadora é determinada, então independente dos obstáculos que eu tenha que enfrentar, eu vou ser feliz de um jeito ou de outro...
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Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem. Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus). Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 36 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha apenas 16 anos, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não existiriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai. Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta. Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele. Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda. E de repente o ano que vem acabou antes de começar.

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