"Não viva por alguém que não te ama, não faça isso, não seja cruel consigo mesmo."
- Não é isso que eu quero. Você sabe. - Ele insistia, mexendo os dedos sobre o couro cabeludo, completamente nervoso, seu rosto estava tão pálido que poderia rachar. - Eu não escolhi isso, não vim aqui por conta própria. - Ele começou a andar, seus saltos masculinos batiam no chão, faziam um barulho sem ritmo, ele bufou, se sentando. - Apenas... Assine, e nós dois, eu... - Moveu a mão anelar, faltava uma aliança - E você.... - Continuou, colocando a mão sobre a minha, me encarando, há como eu queria que me olhasse diferente, como antigamente... - Podemos ser livres. - Concluiu, sorrindo; ele estava nervoso, seu sorriso não mostrava todos os dentes, não ia além das presas. Ele não estava feliz.
Nenhum de nós dois estávamos.
Eu só queria um emprego. Um salário no fim do mês, uns trocados pra ajudar em casa e manter as contas no azul. Mas aí eu fui demitido. Por causa de um cara mimado de terno caro, que apareceu na loja fingindo ser só mais um cliente qualquer! E que, adivinha? Era o maldito dono da porra toda.
Achei que era o fim. Mas então a irmã dele apareceu com uma proposta estranha: trabalhar de assistente pessoal desse mesmo cara. Não fazia o menor sentido... até eu perceber que ela estava chantageando o próprio irmão com um segredo que ninguém podia saber. E eu? Entrei de gaiato.
No começo, tudo parecia um jogo de poder. Ele mandava, eu respondia com sarcasmo. Ele provocava, eu revidava. Mas quanto mais o tempo passava, mais as provocações davam lugar a algo que nem eu, nem ele, estávamos preparados pra sentir.
O problema é que, mesmo quando o sentimento aparece, ele vem cercado de segredos, manipulações e escolhas difíceis. E se tem uma coisa que eu aprendi nessa história, é que amar alguém como o Nathan não vem com garantias. Vem com caos, silêncio e um medo danado de se entregar. É sempre um amor sob protesto.