Declínio
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WpMetadataNoticeLast published Fri, Jun 19, 2026
"Eu queria devorar esse moleque. Me sentia plenamente capaz de passar a noite inteira traçando ele, até meu pau esfolar. Meu peito tava agoniado. Em parte, eu queria respeitar ele, cuidar do moleque porque ele merecia demais essa atenção. E, em parte, eu queria rebocar ele de porra dos pés à cabeça. Mas, vamos por partes... Eu não vou ser lixo, porque esse moleque... porra, merece mais do que um cuzão que nem eu. Então, eu tenho que fazer por merecer... E se ele achar que eu mereço, meu amigo... Vou passar uns dias carregando ele no colo, porque ele vai levar tanta pica que vai ficar com as pernas bambas por uma semana, pelo menos. Eu quase ri, mas me contive. Por que eu tinha que ser tão loucão da cabeça? Ele tava ali do meu lado, caralho. Do meu lado." À flor da pele. Não há nada que defina melhor Alexandre, que após alguns anos colhendo a estabilidade de vida pela qual lutou e quase morreu para conseguir, aprendeu que era esse o estilo de vida que queria. Entretanto, existem erros que não se contentam em ficar no passado e através de ações que fogem do seu controle, ele vê tudo aquilo que construiu começar a ruir, ao mesmo tempo em que se vê de volta ao mundo do qual pensou estar cada vez mais distante. Cada vez mais envolvido pelo mundo do crime e pelos amigos dessa vida, que ele não foi capaz de se desvencilhar completamente, Alexandre busca refúgio nas drogas e, de uma forma muito estranha, em um garoto que surgiu em sua vida do nada, mas que toma seus pensamentos como se o conhecesse desde sempre. Entretanto, há algo sobre esse garoto que o levará de volta até o ponto que ele optou por esquecer até fingir que nunca existiu: "qual o real peso das minhas ações? E em que tipo de pessoas elas me transformaram?". Feito um buraco negro, Alexandre tem esses mundos que o orbitam sendo sugados para si, num evento que pode acabar não apenas com essas vidas, mas com a própria.
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Ellora

Porque eu não dei por encerrado nossa curta relação naquele momento dentro do cubículo? Porque eu não deixei Verônica em paz, já que meu templo sagrado, (talvez não tão sagrado hoje em dia) não a interessava mais? Porque eu insisti em libertar uma pessoa que não queria ser liberta? Esse é o preço que eu pago por ter amado demais, a culpa, o remorso tomam conta de mim nesse momento, e serão as únicas coisas que irão me acompanhar dentro da cela escura e fria. Hoje eu posso ver a família Zumach chorando pela perca, implorando por justiça, hoje eu posso ver os poucos amigos no fundo desse tribunal com olhares de piedade ao ver essa cena lamentável, hoje eu posso ver que minha família não se importa se vou ficar 1 ou 10 anos aqui, hoje eu posso ver que joguei o pouco que restava da minha vida fora. Eu não sei se arrependimento é a palavra certa para usar, foi bom enquanto durou, eu me senti viva, mas, e agora? Caros membros do Júri, eu, Ellora, não tenho palavras para expressar o que sinto nesse instante. A dor da perca e a dor da culpa me corroem nesse momento. Dor pela pessoa que eu amei durante esse curto tempo, ter partido sem ao menos me dizer adeus. Sua alma fora sugada pelo anjo da morte, que saiu das profundezas do meu inconsciente para tira-la de mim. Culpa por um dia ter feito, essa mesma mulher, sentar nessa cadeira como uma criminosa qualquer sob o olhar impiedoso dos homens que a cercaram. Excelentíssimo, entendo que pela lei deveríamos ser punidas, mas não há mais sentido punir quem já não está mais entre nós. Verônica... [Seus olhos azuis jamais sairão de minha mente, seus longos cabelos dourados deslizando sob meu corpo nu, e seu sorriso largo que enaltecia minh'alma] Caros membros do júri, e os demais aqui nesse tribunal presentes, permita-me contar como e porque, nossas almas se cruzaram nesse destino cruel. Acredito que a partir daqui, eu deva assumir o lugar do réu.

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