Dernière Danse

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WpMetadataNoticeLast published Tue, Jul 6, 2021
Olhava para a janela como todos os dias, esperando ansiosamente algum vizinho preencher a casa vazia ao lado da minha. Eu tinha em torno dos meus 17 anos e nunca havia sentido nada parecido com o que senti aquele dia. Uma sensação nova me invadia por completo, minhas bochechas coraram rapidamente, em meu estômago formavam-se nós impossíveis de serem desenlaçados. Eu nunca havia sentido aquilo antes, por nada, e nem por ninguém. Permiti olhá-la novamente. Ela era simplesmente perfeita. Seus cabelos loiros caiam por seus ombros de forma delicada, assim como seu corpo naquele vestido florido típico de um verão de meio de ano. Seus lindos olhos azuis logo pararam em minha direção. E eu o retribui, sem saber onde estava me metendo.
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Eu acordei de um coma que durou dois anos. Meus pais disseram que foi a visita do padre que orquestrou esse milagre, os médicos não conseguiam explicar a minha melhora. Eles não fazem ideia do que aconteceu aqui. Mas eu sei. Eu posso não lembrar dos últimos dois anos, mas eu lembro de uma voz suave como a brisa da primavera, doce como um morango maduro cantando para mim em minha solitária rotina. Eu posso não ter vivido além das paredes desse quarto estéril de hospital, mas eu caminhei nas mais altas montanhas e nos mais verdes vales enquanto ouvia suas histórias. Eu posso não ter sentido nada durante esse longo período que passei adormecida, mas a primeira coisa que eu me lembro antes de abrir os olhos novamente foi o suave e furtivo toque de seus lábios nos meus. Eu podia não saber seu nome, a cor de seus cabelos ou dos seus olhos, mas eu conhecia o conforto de suas palavras e a suavidade de seu toque em minha face. Eu podia não o ter visto uma única vez, mas meu coração o reconheceria. Ele era o meu príncipe e veio para me salvar, não de um dragão, mas sim da escuridão e vazio do meu coma. E eu o encontrarei assim que sair daqui, pois essa era a nossa história. Eu tive muito tempo para sonhar com ela agora estava na hora começar a vivê-la.

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