A Melodia Da Morte

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WpMetadataNoticeLast published Wed, Dec 2, 2020
"O pássaro é livre na prisão do ar. O espírito é livre na prisão do corpo. Mas livre, bem livre, é mesmo estar morto." - Carlos Drummond de Andrade. Pois Yeda está morta, e tem total consciência da sua situação atual. Todos eles estão mortos, todos deixaram para trás seus mundos de pontes e ossos caindo nas profundezas da escuridão faminta. As cinzas de mundos e repúblicas dançando nas sombras sobre a cabeças deles. Contemplando no silêncio do tempo o céu partindo e os oceanos passando através deles. Através dela. Por ela. Pois não há sombra sem luz, não há quem conduza o outro lado sem o gosto de ferro na língua.
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Duas almas atravessam o véu entre os vivos e os mortos no mesmo minuto, segundo e hora. Do mesmo dia, mês e ano. Sob a luz de uma lua de sangue. Uma delas segue o seu caminho e encontra a eternidade. A outra, com sede de sabedoria mesmo na morte, observa sua contraparte atravessar, mas ela não segue o mesmo caminho. Em vez disso, a alma curiosa, se aproxima do local de onde a outra veio, ela não vê muito, está turvo, como se estivesse debaixo d'água. A alma estende a mão, ela não consegue puxar de volta. Se ainda tivesse um corpo físico ela estaria franzindo as sobrancelhas enquanto faz força para soltar a mão de sua prisão invisível. A alma desiste. Ela se aproxima mais e passa uma perna, depois outra e então a cabeça. Derrepente, a alma esta sendo puxada, ela não sabe oque é aquilo ou como parar. Então ela flutua e flutua enquanto é arrastada pelo nada. E então tudo para. Ela sente dor, seu corpo todo protesta. Seu estômago geme de fome e ela não consegue respirar. Dois olhos cinzentos se abrem para a escuridão, apenas uma luz avermelhada iluminando o lugar, ela grita.

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