Além da Escuridão

Além da Escuridão

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WpMetadataNoticeLast published Wed, Oct 15, 2014
A noite de céu limpo e a lua cheia iluminava sua fuga. Ela temia o amanhecer, pois com ele viria a descoberta de sua ausência, e então teria início a caçada. As correntes, ainda presas às suas pernas, chacoalhavam a cada passo contra seus tornozelos, um único elo quebrado em cada um deles era tudo o que restava das correntes. O metal machucava sua pele delicada, e um filete de sangue começou a escorrer. Mesmo tropeçando e com seus pés machucados ela continuava correndo. Seus braços se moviam desesperadamente no ritmo de seus passos rápidos e pesados. Os fios longos e negros grudados a sua cabeça se moviam como uma folha que acabou de se desprender de uma árvore por causa do vento..
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A fome queimava em seu estômago, enquanto seus pés descalços vagavam pela terra úmida. O frio cortava sua pele como lâminas invisíveis, fazendo seu corpo tremer descontroladamente. Seus cabelos desgrenhados se agitavam ao vento, refletindo seu estado: uma alma à deriva, exausta e faminta. Abraçou-se numa tentativa vã de reter o pouco calor que ainda A restava. Então, passos. O som ecoou pela floresta silenciosa, e antes que pudesse reagir, uma dor lancinante rasgou sua coxa esquerda. Um grito escapou de sua garganta ao ver a flecha fincada em sua carne, o sangue escorrendo quente contra o frio implacável. Com a força que ainda lhe sobrava, ela correu. Ramo após ramo arranhava sua pele, espinhos rasgavam sua carne, mas nada importava além de fugir. O medo pulsava em suas veias, tão feroz quanto o frio que mordia seus ossos. Olhou para trás-sombras se moviam entre as árvores. Estava cercada. De repente, o chão cedeu. Seu corpo despencou na armadilha, madeira afiada cravando-se em sua pele. O impacto roubou o ar de seus pulmões, e a dor a envolveu como um abraço cruel. O sangue quente escorria pelos espinhos, tingindo o solo sob si. Tentou respirar, mas o frio já havia reclamado seu corpo. Seus lábios arroxeados entreabriram-se num último suspiro... e então, silêncio. Ela estava morta. Acima dela, duas figuras a observavam em silêncio. Seus olhos se encontraram brevemente, um deles claramente irritado enquanto puxava o cadáver inerte da armadilha. Isso não era para ter acontecido assim. A noite os envolvia, cúmplice do destino selado.

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