Quando na montanha

Quando na montanha

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WpMetadataNoticeLast published Tue, Dec 1, 2020
"Sabe, às vezes eu me sinto deslocada, então fujo. Me escondo em meu próprio mundo. Sempre está de noite e as estrelas decoram os arredores. Estou no pico da montanha e estendo a minha mão ao céu, capturo a estrela mais brilhante com as pontas dos dedos e a deixo descansar sobre a palma da minha mão. Ela é tão linda e brilhante, perto dela eu me sinto obscura, por isso a aperto com força quando fecho a mão. Uns segundos de silêncio se passam e a paz reina, mas quando abro à palma a estrela não está mais lá". Ela agora é parte de mim. Uma energia percorre meu corpo como se fosse mágica e meus olhos se fecham enquanto meu eu saboreia cada instante daquela sensação sobrenatural e estupenda. Não quero mais voltar a ser humana e delicada, cair e ralar os joelhos, tocar em vidros e me cortar, querer e não ter, sonhar e voltar à realidade, amar e não ser amada, ser presa por fora e livre por dentro. Os meus olhos se abrem lentamente e vão em direção à palma da minha mão, a estrela brilha dentro de mim como fogos de artifícios arco-íris. Entretanto, a realidade é inevitável. Ao chegar no ápice da loucura, você talvez consiga fugir e se esconder em seu próprio universo, todavia a vida real ainda estará te esperando mesmo que se passem anos. Eu sei disso. Eu atingi meu ápice. Eu me refugiei em meu mar de loucura. Eu parei de me importar.
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Ela sorria para o mundo, como se um sorriso pudesse ser capaz de fazer as coisas melhorarem. Talvez fosse. Mas sabia que as coisas não ficariam bem tão cedo. Lá fora chovia, fazia frio, e ela ficava na janela lendo seu livro, perdida em pensamentos. Como foi que as coisas chegaram a esse ponto? Já não sabia dormir cedo, já nem dormia muito. Quase nada. Madrugada de Abril. Desenhou um coração no vidro da janela. O mundo real parecia cada vez mais distante dela. A solidão lhe fazia companhia. Ela tinha amigos e um namorado. Mas eles estavam ocupados com suas vidas cheia de coisas, que não poderiam enxergar que a dela estava tão vazia. E ela não se importava, sorria. Se for para morrer que seja sorrindo. O silêncio as vezes é bom, outras não. Ele pode lhe fazer enlouquecer. Gritou muitas coisas para ela. Verdades invisíveis, agora ao seu alcance. Ela era a mão que acolhia, uma salvadora de vidas. Amiga para todas as horas. Nada que pudesse ser compreendido. Tudo que pusera ser sentido!

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