Lamentos de uma alma apodrecendo

Lamentos de uma alma apodrecendo

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WpMetadataNoticeLast published Sun, May 23, 2021
Algo dentro de mim me entope. Talvez seja essa ansiedade esfomeada. A vontade tão intrínseca de viver, que me entorpece de morte; o medo tão mortal de me atrasar para esse compromisso nenhum; ou essa dolorosa lágrima que me entope os olhos de pessimismo. Para um artista, essa angustia não passa de uma maldição. Uma maldição que me impede desoprimir o âmago, uma maldição de de pior gosto, afinal, o que deixa-nos mais impotentes do que ter a consciência de um poder que não consegue usar? Mesmo cingida pela lamúria e o martírio, mesmo apodrecendo como um fruto fétido, torturarei meus dígitos, e espero que sua paciência me mantenha viva.
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Você não queria estar aqui lendo esse monte de merdas; e, talvez, eu também não queria ter escrito essas coisas. Porque se existisse algo que fizesse-nos sentir úteis, a mísera possibilidade de possuir essa coisa, de bom grado, estaríamos doando até a nossa alma, ou o que restou dela. Não estaríamos perdendo tempo lendo essas coisas. Por favor, caro leitor, não demonizem os meus pensamentos, nem as minhas lembranças. O diabo é coisa séria, e eu não ousaria brincar com alguém que sente prazer em ter a companhia de outras pessoas; mas também é preciso ter o mínimo de decência, e vocês hão de concordar comigo, não é preciso trazer a tona a sua moralidade religiosa, subjugar palavras de um tolo que não tem nada para lhes oferecer. Eu tenho uma cabeça doente, a minha alma foi forjada pelo fogo da tristeza e da solidão. Isto não é um manifesto contra toda a distopia criada pela minha memória. São, apenas, palavras. Palavras soltas tentando remontar a minha memória; essa, sempre desconexa, que coexiste pelas lembranças de um passado desordenado, um presente difuso e um futuro, indecentemente, incerto. Hoje, eu já não sei mais o que eu sou, mas, um dia, eu já fui o Esteban.

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