Estilhaços
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WpMetadataNoticeLast published Wed, Jun 16, 2021
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Poetry
Tenho o costume de escrever o que me vier à mente onde estiver à mão. E o que está à mão é facilmente deixado dentro de armários, no fundo de gavetas e onde mais a distração levar. O fato é: eles se perdem. Pensamentos deixados para trás. Eles se acomodam entre outros bens também perdidos: documentos importantes, cartões de Natal, fotografias que não deixamos mais à vista. Móveis cada vez mais abarrotados de memórias que guardamos para poder esquecer. Em um dia desses de dezembro, no entanto, precisei esvaziar meu guarda-roupas. E cada caderno que emergia trazia consigo um verso do meu pretérito. Como se meu eu passado me deixasse recados. Cada linha, um fragmento de quem eu fui. De quem fui? Ou de quem sou? Quando um vidro se estilhaça, qual é o pedaço original?
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#396
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Aquelas tuas palavras caíram sobre mim como meteoros súbitos na noite. A queda foi rápida, o barranco não muito profundo. A descida, porém, não foi das mais suaves. Qual são os preços pagos das lições aprendidas? É um risco que ocorre, Agulha contra o vidro, Eu tenho um bom punhado de assombrações que me acompanham, me sussurram desesperos [...] Era como se eu estivesse invisível. Tão mudo o escuro que o menor cochicho Na amplitude do silêncio é engrandecido Como cansa sentir tudo e não mais sentir nada! Não pense que não sei nada do mundo para entender. Reunindo 4 poemas e 6 contos, entre a prosa e a poesia, Paredes Invisíveis é um retrato de cacos quebrados além dos sentidos, pequeno relicário de um milhão de gotas de dolorosas melancolias. Quais os riscos que corremos? O que encontrar na escuridão? Quem nos espera e quem nos envenena? Por qual caminho seguir se não vemos sentido em tudo isso? São muitos, são muitos os vidros. Você aprende a conviver com eles. É preciso.

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