Olá meu nome é Noturna, não é por que eu gosto da noite, em parte sim, talvez minha mãe me imaginasse que eu iria gostar da noite. Vinte anos e não a conheço, mas me falam muito dela, especialmente hoje.
Eu estava pulando de telhado em telhado, fugindo dos lobos negros, mas não os normais, esse são maiores quase não dar para ver pela noite mais seus olhos vermelhos e brilhantes da lua dar para ter uma noção de onde estão, durante o dia hibernam e a noite despertam com uma fome e ferocidade inimaginável, eu pensava que eles eram independentes, mas não, são liderados por alguém que estou atrás faz algum tempo.
E nesta noite eu estava indo para o ponto de encontro da reunião, mas os lobos estavam mais próximos do que eu pressentia, na minha corrida pela minha vida eu dei uma cambalhota e me distanciei um pouco deles, eu não tenho medo, mas uma mordida deles não é legal, ainda mais que te torna um renegado pela maldição da mordida, apesar de suas patas grandes do tamanho de um homem alto e com garras afiadas não fazerem o mesmo mais machuca bastante e arder em como o inferno, não me torna imune, isso não me faz desacelerar. Eu estou quase lá.
Além de sermos um clã sendo valorizados pelo dom, somos reclusos do mundo, o meu dom é grande o que vem de família para família. No meu caso tenho o acumulado, mas apenas minha mãe sabia disso e resolveu não me contar, deixando apenas uma carta, que ótima mãe que tive. E fora a parte na carta dizendo que eu deveria me cuidar mais e não confiar em todos ela não informou mais nada.
Eu parei á poucos mais de 100m da entrada, pra eu ter um pouco mais de tempo e tenho que eliminar os mais próximos, três para ser exata.
- Merda! - Péssima ideia!
Agora não tem volta, eu me posicionei de uma maneira para os meus pés não deslizassem, posição de combate, eu vi nos rostos dos lobos como se fosse um sorriso. Eu peguei minha arma favorita.
Quando não se conhece nada além de insegurança e abandono a última coisa que quer é ficar próximo de pessoas. Pelo menos é assim que eu penso.
Katherine Bolton, a criatura desprezível. A suposta loba que cheirava a humanidade e não a ser sobrenatural. O ser maligno que nasceu erroneamente e matou a mãe durante o parto.
A criança que mereceu ser abusada pelo pai até o dia em que não aguentou e acabou matando-o em um surto.
A assassina
A filha do demônio
Criatura pertencente ao inferno
Ser que deu errado
A indigna de ser amada
Aquela que merece sofrer
Me conheciam por vários nomes. Até mesmo tinham aqueles que me conheciam como "aquela que não pode ser citada".
Depois de meses passei a ouvir tudo sem chorar
Depois de anos passei a não me importar
Depois de décadas aprendi a ignorar e lançar olhares malditos
E enfim, depois de séculos eu decidi desaparecer
Bom é isso que sou: ninguém. Me tornei as histórias que contam aos filhos antes de dormir. Me tornei a história de terror que contam ao redor da fogueira. Me tornei um mito, uma lenda que passa de alcateia em alcateia
Lobos não se lembram de meu rosto, apenas dos sentimentos que os proporcionei. Humanos não sabem de minha existência enquanto aldeias veem apenas as marcas que deixei no passado
Ninguém se lembra de mim. Ninguém se lembra de meu nome. As pessoas são cruéis e se lembram apenas do medo, da repulsa e da raiva
Elas me temem. Eu as odeio.
Capa feita pela maravilhosa: @amonimams2121