Cartas Para um Cemitério

Cartas Para um Cemitério

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Jan 21, 2021
Comecei a escrever cartas, cartas jamais enviadas. Comecei a escrever cartas para tentar pôr para fora a dor incessante que permeia meus órgãos, me retirando toda e qualquer energia vital. De certa forma, escrever essas cartas me ajuda no meu autocontrole, mas não enviá-las, às vezes, acaba por ser o gatilho para a minha ansiedade. Eu escrevo elas para diversas coisas e pessoas. Para um amor proibido e jamais superado; para um ex amigo que traiu minha confiança; para o livro na estante ao lado da minha cama... Escrevo para me expressar com coisas melhores do que atos. Algumas palavras são um pouco mais duras que as outras... já outras me corrompem mais, ao ponto de me fazerem chorar no meio da escrita. Mas eu sempre continuo escrevendo e escrevendo essas cartas endereçadas para fantasmas de cemitério que jamais irão abri-las... ou será que algum dia vão?
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Escrevi cartas quando não havia mais ninguém para ouvir. Escrevi porque doía demais guardar tudo só pra mim. Escrevi para o amor que partiu, para o que não chegou, para o que nunca existiu de verdade... e, acima de tudo, escrevi para o amor que um dia fui capaz de sentir - mesmo quando não havia retorno. O amor que, no fim de tudo, sempre esteve em mim. Entre páginas não lidas e amores não correspondidos, nasce um livro feito de confissões, saudades e silêncios. Cartas de um amor desconhecido: todas as vezes que escrevi para o amor, reúne cartas reais escritas por alguém que amou com toda a alma, mesmo quando o outro já não estava mais lá. Não são cartas para serem respondidas - são desabafos de quem sobreviveu à ausência e transformou a dor em palavra. Se você já amou alguém ao ponto de se perder, talvez se reconheça aqui. E, se ainda não se encontrou, talvez essas cartas possam te guiar de volta porque, às vezes, a gente só precisa escrever para continuar existindo.

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