[ROMANCE] Achados & Perdidos

[ROMANCE] Achados & Perdidos

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Não havia nada muito animador no trabalho de Timmothy, dentro do departamento de Achados e Perdidos da estação de trem. Tudo que via eram rostos desconhecidos com bochechas rosadas e respiração ofegante, ombros caídos e olheiras escuras ou, periodicamente, olhos brilhantes de lágrimas e narizes fungantes de pequenas crianças. Alguns haviam perdido algo importante. Outros os encontravam por mero capricho do destino. Todos vinham àquela tímida sala, encolhida entre uma livraria e uma cafeteria, com um objetivo. Deixar coisas encontradas. Buscar coisas perdidas. Menos ela. (Ou alguém que Timmothy achava que era ela.) Menos as cartas dela. Elas vinham sem aviso. Nos dias mais cheios, passavam despercebidas. Nos mais pacados, eram o deleite do garoto, que, por sua vez, podia se agraciar com algumas horas de tortura, tecendo histórias sobre quem seria a dona de tais cartas. Às vezes, chegavam uma ou duas na semana. Em outras, cinco. Seis. Sete. Nenhuma. Perdidas ao vento. Descartadas no lixo. Nunca achadas. Havia apenas uma constante. Nenhuma delas tinha endereço ou selo. Sem remete ou destinatário, elas se acumulavam em uma tímida pilha que crescia com o passar dos dias, assim como as teorias de Timmothy sobre sua dona. Como ela seria? Por que deixava as cartas na estação de trem? Por que nunca as buscava? Por que escrevia? O que se passava em sua mente? Essa história começa quando uma dessas perguntas finalmente encontra sua Resposta, perdida em pensamentos.
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Depois de quase vinte anos longe, Agatha se vê novamente no caminho de casa que deixou para trás. Partiu como uma jovem cheia de sonhos e agora retorna à beira dos quarenta, carregando frustrações e angústias que jamais imaginou. A morte de Javier Vidal, que sempre foi um pai, a obriga a voltar para a cidadezinha em que crescera, mas o verdadeiro tormento não tem anda a ver com essa perda e sim com os fantasmas do passado, especialmente Rio. Agatha e Rio eram inseparáveis. Cresceram juntas, dividiram tudo e foram o primeiro amor uma da outra, como em um conto de fadas, aquelas histórias em que, ainda na infância, as almas gêmeas se entrelaçam. Mas enquanto Rio amava a vida na fazenda, os cavalos e o aconchego da cidade pequena, Agatha queria o mundo; sonhava com tribunais, livrarias imensas e cidades desconhecidas a serem exploradas. No fim, ela foi embora e Rio ficou. Agora, ao retornar à sua cidade natal, Agatha se vê forçada a encarar não apenas as consequências do que escolheu para si, mas principalmente, daquilo que abriu mão. Rio também mudou. O tempo e a dor a fizeram crescer, ela ficou, mas não é a mesma pessoa. Apesar de compartilharem a cicatriz de um amor que um dia acreditaram ser tudo, nenhuma das duas é mais a mesma pessoa. Elas não se conhecem mais. O que dói mais? O passado que deixamos para trás acreditando num futuro incerto cheio de sonhos e expectativas? O tão esperado presente que se revelou angustiante, sem ter nada do esperado? Ou o peso de olhar nos olhos de alguém e perceber que todo o seu futuro, toda a sua vida, poderia ter sido diferente? A pior parte é que a resposta para todos esses questionamentos se desdobra em outro: como fazer com que tudo seja diferente agora?

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