Último Som

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"A vida inteira, meu mundo foi feito de sons. Cores se convertiam em notas, formas tornavam-se acordes. E tudo convergia em uma melodia infindável, incomparável. Minha alma. A música me reivindicou, me tomou pra si, me escolheu. Tudo o que vejo é música, tudo que sinto é música, eu sou música. Os sons são minha liberdade, o lugar onde meu coração está selado permanentemente, a tranquilidade no centro do furacão. Quando me torno uma com a música, nada pode atingir, nada pode me aprisionar. Estou segura. Estou completa. Eu estava bem em me permitir ser dominada pela minha paixão, desbravar cada partícula infinita dela. Até que tudo se calou. E eu descobri o meu maior, único medo. O silêncio." Luísa está prestes a perder completamente a audição, e junto com ela o elemento central de sua vida. A música. Seis meses. Seis meses estão entre ela e seu maior inimigo, o silêncio. Ela não sabe o que fazer com esse curto tempo, que mais parece roubado de seu destino final. Até que ela conhece Vicente, um jovem felizmente obstinado, disposto a fazê-la escutar todos os sons que jamais ouviu. Cada partícula infinita deles. "Qual a última coisa que você gostaria de ouvir?"
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Não, não havia esperança. As circunstâncias da vida, a palidez dos momentos e a bruma do coração talvez fossem os culpados. "O que pensar sobre a existência se não no fim dela?" - valia-se de um eufemismo para não acostumar com o absurdo da ideia que há tempos ganhava palco em sua mente. Enquanto lentamente se permitia definhar, Luana, a garota espremida entre a multidão, agarrada a um moletom vermelho e fones de ouvido por dentro capuz, não exigia nada além de uma cama quente, silêncio, um livro e brigadeiro de colher. Já não vivia. Existia. Dando continuidade à rotina fatigante unicamente pelo senso de obrigação e medo da morte. Habitava numa tempestade silenciosa. Um temporal eterno. Gelado e escuro. E foi lá, entre os trovões ensurdece(dores) e gritos mudos, que a figura do para-raios, de um jeitinho imprevisível, apareceu. Um para-raios de sorriso determinado e assumidamente incapaz de esquecer os relâmpagos que vira nos olhos dela. Luana ainda não sabia, mas o futuro do reino do terror estava seriamente ameaçado. '''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' PLÁGIO É CRIME!

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