Talvez reconhecer que até nossas ações mais medíocres, feitas por impulso, sem pensar sequer uma vez, possam trazer consequências seja assustador. Por isso quase nunca pensamos sobre. Imagine, viver com o medo e o peso de pensar que, ao escovar seus dentes, o mau passar do fio dental pode causar uma inflamação. Dessa inflamação, uma ida ao dentista. No dentista, a descoberta que a inflamação era mais grave do que se imaginava, e, disso, a perda de um dente. Tudo isso para que, no final, acabe vacilando naquela apresentação tão importante que lhe garantiria aquela vaga. É isso. Acabou. Tudo por causa de um fio dental passado de forma preguiçosa.
Sim, eu estou exagerando. Mas não tanto como imagina. Histórias assim acontecem, e a que estão prestes a ler é um exemplo um tanto trágico, eu diria. Onde tudo começou quando Clay, recém mudado para Brighton, calouro da Brighton University, decidiu que não seria má ideia cabular uma aula com seu novo amigo.
"Não há nada no mundo, nem recompensa, nem castigo.
O que há são consequências."
Robert Green Ingersoll
{Obs: Essa fanfic NÃO é para ser romantizada. Ela é dramática, gente. Pelo amor de deus, não me venham romantizar isso.}
De acordo com a Terceira lei de Newton toda ação gera uma reação. Só que nem sempre estamos prontos para lidar com as consequências dos nossos atos. De vez em quando a vida vira de ponta cabeça e precisamos nos adaptar às mudanças.
O problema é que nem sempre pensamos nos efeitos colaterais. Agimos por impulso e deixamos para nos preocupar no dia seguinte, com a expectativa de que as consequências nunca nos alcancem.
Minha vida parecia se basear muito nisso. Eu sempre agia por impulso. Sempre quebrava as regras e tentava ignorar as consequências. Só que com a morte prematura da minha mãe, eu já não tinha escapatória.
Depois de dois anos eu estava de volta ao meu inferno pessoal e ali não havia para onde fugir. As consequências para todos os meus atos inconsequentes iriam me atingir com uma violência brutal.
Ali o diabo tinha olhos cor de mel, um sorriso cheio de malícia e estava disposto a tornar minha vida o mais miserável possível. Mas é claro que eu não o deixaria se divertir sozinho. Se ele queria me torturar por todos os erros que cometi, eu faria questão de deixar bem claro que nós éramos lados opostos de uma mesma moeda.
Semelhantes de todas as formas possíveis. Cheios de raiva e culpa. Éramos como fogo e gasolina, prontos para destruir tudo ao nosso redor.