Os caminhos que escolhemos viver nos constroem e nos destroem. Nem sempre na mesma proporção, é verdade, mas os fardos sempre estão lá, assim como as conquistas. Cedo ou tarde, todo mundo é forçado a assumir o controle da própria vida, trilhar sua própria trajetória e encarar as consequências de seus atos.
Rafaella, natural do interior de Minas, escolheu cursar medicina um ano após terminar o ensino médio. Na metade do curso, decidiu que seria neurocirurgiã. Disposta a enfrentar todos os tipos de desafio de uma das especializações mais difíceis e predominantemente masculina, faria qualquer coisa para alcançar seu objetivo. Não poderia ser diferente, uma mulher extremamente focada e esforçada. Não foi "Deus que lhe deu", foi seu suor, seu sangue e sua força.
Bianca, era carioca e tentava ao máximo levar sua vida com bom humor. Sua gargalhada era a principal característica de sua personalidade expansiva. Muitos dizem que sua inteligência é acima do normal, talvez por esse motivo ela nunca achou tão difícil enfrentar o vestibular ou a faculdade de medicina. Seu novo desafio seria a residência em cirurgia cardiovascular. Era aquilo que ela gostava: um bom desafio que forçava seus limites até expandi-los.
Caminhos que, naturalmente, seriam tão opostos, acabam se encontrando em outra cidade, outro estado. Às vezes, o destino coloca em nossa frente exatamente as oportunidades que precisamos. Serão elas capazes de aproveitar?
Valentina Rafaella Antonella Souza - ou simplesmente Dra. Valentina, porque ninguém tem paciência para falar seu nome inteiro - é uma cirurgiã ortopédica brilhante, com mãos precisas e uma boca afiada. Baiana arretada, ela saiu do interior quente e colorido do Brasil para a frieza organizada da Holanda, onde trabalha em um dos hospitais mais renomados do país. Lá, Valentina precisa lidar com a resistência ao seu jeito direto, ao seu sotaque carregado e ao preconceito por ser uma mulher em uma especialidade dominada por homens.
Mas nada a tira tanto do sério quanto ele: Laurens "Lars" Van Dijk, o neurologista mais metódico e irritante da equipe. Alto, frio e sempre impecável em seus ternos, Lars vê os cirurgiões como precipitados demais, prontos para cortar antes de considerar outras opções. Valentina acha que ele é um burocrata travado que pensa demais e age de menos.
Eles discordam de tudo - exceto da atração absurda que existe entre eles. E quando um caso desafiador os obriga a trabalhar juntos, as brigas se tornam cada vez mais pessoais... e perigosamente próximas da linha entre o ódio e o desejo.
Na Holanda gelada, Valentina precisa decidir se está disposta a abrir mão do controle e dar uma chance ao amor - ou se, como sempre, vai lutar até o fim para provar que não precisa de ninguém.