O extraordinário homem de lata
O casarão se erguia ameaçador, silhueta escura contra o céu noturno. Árvores retorcidas pareciam garras esqueléticas agarrando-se à fachada de pedra, enquanto o vento uivava como um lamento. Dentro, o ar era pesado, carregado com o cheiro acre de metal e produtos químicos. Era o reino do Doutor Edgar, um lugar onde a ciência se misturava com a obsessão, e a linha entre o brilhante e o monstruoso se desfazia por completo.
O próprio Doutor Edgar era uma figura grotesca. Seus cabelos grisalhos e oleosos caíam sobre um rosto magro e esquelético, emoldurado por uma barba rala e descuidada. Vestido com um jaleco branco manchado de óleo e sangue - ou talvez fosse tinta, era difícil dizer - ele parecia um açougueiro de almas mais do que um cientista. Seus olhos, porém, eram brilhantes, quase inumanos em sua intensidade, fixos em seu projeto com uma devoção perturbadora.