Tarde demais

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WpMetadataNoticeÚltima publicación dom, jun 27, 2021
É tão fácil pensar que ele foi bom, que agora que se foi, todas as coisas ruins que ele já fez não são dignas de serem lembradas, oh não! Ninguém fala mal de um morto, ele foi bom, ele amou, ele cuidou. Ele sorriu, ele viveu, mas não, ele não fez essas coisas, talvez em seu jeito distorcido de ver o mundo, ele acreditasse que estava fazendo exatamente isso, mas lhe garanto, ele era tudo, menos bondoso, ele era tudo, menos gentil, e amar? Por um tempo eu acreditei que era o que ele fazia. Mas com o tempo me dei conta de que nem eu mesma sabia mais o que era esse sentimento, é tão louco como você se adapta a situações mais baixas possíveis, em que se você olha-se de fora, gritaria e diria eu nunca passaria por isso, como ela pode? Mas lá estava eu com o coração na bandeja pronta pra entregar ao primeiro que me desse um pouco de amor, um pouco de paz, aquela paz que eu não tinha, aquela quietude que eu buscava sem nem mesmo me dar conta. Enquanto eu odiava meu pai, por tudo que ele nos fazia passar, não me dei conta que me casaria com um homem ainda pior. Que eu o amaria profundamente e ele me daria migalhas por qual eu almejaria, ele me daria nada, e eu sorriria por isso, por que quando sua mente chega a esse ponto, não existe limites para o que você pode fazer. Pena que descobri isso tarde de mais.
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Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem. Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus). Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 36 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha apenas 16 anos, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não existiriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai. Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta. Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele. Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda. E de repente o ano que vem acabou antes de começar.

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