A família LaLaurie nunca foi a mais querida de todas que habitavam Salém, no entanto eles tinham a mais bela das filhas: Delphine. A pequena menina teria um futuro conturbado pela frente. Destino cujas tramas ela só desvendaria quando fosse tarde demais. Ir ao submundo e voltar pode transformar uma pessoa, isso é fato, entretanto os danos que tão assombrosa viagem causaria à uma criança é incalculável!
Magia negra, feitiçaria, morte, ressurreição, reencarnação, voo-doo, vida eterna, tortura... As bruxas de Salém escondem segredos que pairam o inimaginável. Insofismavelmente temos ainda hoje suas descendentes conosco, convivemos com elas socialmente e, por vezes, casamos com as que carregam o sangue amaldiçoado sem sequer imaginar suas reais procedências malignas. Post mortem é uma história que retrata a morte como nada além do que ela é para uma bruxa: desafio e possibilidade.
Vale enaltecer, entretanto, que nem todas as bruxas são más; existem exceções, assim como em todo o resto dos círculos sociais da vida. Somos cercados por pessoas de diferentes propósitos, intenções, vontades, anseios... Não podemos nos limitar ao preconceito de uma classe. A verdade é que mesmo em Salém, mesmo a família LaLaurie — que tem o sangue das bruxas, mas não os poderes das tais — podem tomar diferentes rumos de caráter.
Almas puras são os prismas da sociedade: são limpas, verdadeiras, espontâneas... Crianças são os únicos minerais onde se cultivam estes prismas e o único receptáculo onde tais almas fazem morada. No entanto uma alma pura estaria livre do mal? Pode ser corrompido e tangida de negra a mais translúcida água do planeta; a água da alma? A vida de Delphine não começa até o dia em que ela acaba, se tingindo de negro.
Resta saber: quão fundo podemos adentrar no abismo resguardando a possibilidade do retorno?