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WpMetadataNoticeLast published Tue, Dec 2, 2014
Um dia no meio da noite acordei com uma forte dor de cabeça. Aquilo não passava de jeito nenhum, pelo contrário, ia aumentado cada vez mais. Eu não conseguia mais suportar. Meus gritos de dor eram estridentes. Andava de um lado para o outro do quarto a toda hora e começava a morder meu próprio braço para não acordar a vizinhança. Os meus gritos eram assustadores e não queria preocupá-los. Chegou um momento que a dor ficou tão intensa, tão forte, e pensei que todo meu corpo ia explodir. Só minha cabeça explodiu. Na verdade algo foi expelido de dentro dela. Não era algo. Era um ser. Parecia-se com um animal, mas não era um animal. Poderia até ser um homem, mas não era um homem. Certo! Era um homem mesmo. Não um desses homens comuns, igual a eu e a você. Era um homenzinho peludo com orelhas de cachorro e nariz de gato que usava um cinto e carregava um pequeno martelo. Logo percebi que os gritos estridentes que eu dava, na verdade, eram dele. Aquele ser começou a gritar de um jeito tão escandaloso que tive de tapar a boca dele. -Pare com isso! Você quer que o bairro inteiro acorde com essa sua gritaria? -Você não manda em mim e eu adoro gritar! -Ah é! Tudo bem. Foi você quem pediu por isso. Dei um grito tão forte nas orelhas dele que o fez perder o equilíbrio e cair atordoado. Mas isso foi pior. Para me provocar ele pegou seu martelinho e começou a dar fortes marteladas no chão. Parecia que estava tocando um tambor. O barulho era mais insuportável agora. Não tive outra alternativa. Fui para cima dele e segurei uma das suas mãos. Como ele tinha muita força fomos os dois para o chão. Meu ombro esbarrou na mesa e a garrafa de café caiu. Ao sentir o cheiro do café ele ficou paralisado. Não pensei duas vezes. Peguei a garrafa e a segurei fortemente. -Você quer um pouco disso? -Quero! Quero! Quero! -Que bom! Então, cale-se, por favor.
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Depois de quase vinte anos longe, Agatha se vê novamente no caminho de casa que deixou para trás. Partiu como uma jovem cheia de sonhos e agora retorna à beira dos quarenta, carregando frustrações e angústias que jamais imaginou. A morte de Javier Vidal, que sempre foi um pai, a obriga a voltar para a cidadezinha em que crescera, mas o verdadeiro tormento não tem anda a ver com essa perda e sim com os fantasmas do passado, especialmente Rio. Agatha e Rio eram inseparáveis. Cresceram juntas, dividiram tudo e foram o primeiro amor uma da outra, como em um conto de fadas, aquelas histórias em que, ainda na infância, as almas gêmeas se entrelaçam. Mas enquanto Rio amava a vida na fazenda, os cavalos e o aconchego da cidade pequena, Agatha queria o mundo; sonhava com tribunais, livrarias imensas e cidades desconhecidas a serem exploradas. No fim, ela foi embora e Rio ficou. Agora, ao retornar à sua cidade natal, Agatha se vê forçada a encarar não apenas as consequências do que escolheu para si, mas principalmente, daquilo que abriu mão. Rio também mudou. O tempo e a dor a fizeram crescer, ela ficou, mas não é a mesma pessoa. Apesar de compartilharem a cicatriz de um amor que um dia acreditaram ser tudo, nenhuma das duas é mais a mesma pessoa. Elas não se conhecem mais. O que dói mais? O passado que deixamos para trás acreditando num futuro incerto cheio de sonhos e expectativas? O tão esperado presente que se revelou angustiante, sem ter nada do esperado? Ou o peso de olhar nos olhos de alguém e perceber que todo o seu futuro, toda a sua vida, poderia ter sido diferente? A pior parte é que a resposta para todos esses questionamentos se desdobra em outro: como fazer com que tudo seja diferente agora?

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