Ausência

Ausência

  • WpView
    Reads 142
  • WpVote
    Votes 1
  • WpPart
    Parts 1
WpMetadataReadComplete Mon, Jan 12, 2015
"Minha alma... pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou" (Clarice Lispector) Final de tarde, mesma hora de sempre, o portão range, chega gente. O som dos passos lá fora no corredor anuncia alguém cada vez mais perto, coração aqui dentro dispara, sente dor. A porta encostada se abre para um abraço desesperado, um beijo agora amargo dá seu último estalo, lágrimas revelam no chão os restos de um coração aflito e despedaçado. Do buquê de flores que tantas vezes chegou primeiro resta na mão trêmula apenas um pedacinho de lembrança, símbolo da saudade de um amor certeiro. Silêncio, vazio, solidão... Atrás da janela, a cortina fina e amarelada pelo tempo esconde o retorcido e triste semblante de quem fica, perdida, desamparada, angustiada... resta a vontade imensa de correr distante ao encontro daquele que olhos ainda marejados veem ...ao longe. (São Paulo, 30/10/2009)
All Rights Reserved
#72
beijo
WpChevronRight
Join the largest storytelling communityGet personalized story recommendations, save your favourites to your library, and comment and vote to grow your community.
Illustration

You may also like

  • O Vizinho
  • Troféus de lamentos
  • Hora De Amar [COMPLETO]
  • Sempre Foi Você. |Vol. 1
  • Meu meio irmão
  • Desejo Número Um
  • Sobre as sombras do purgatório.
  • Coisas que só fazem sentido depois
  • Escravo
O Vizinho

A casa ao lado ficou vazia por anos, até que um novo morador chegou. Ele sorri no momento certo, tem um tom de voz sempre calmo e nunca parece nervoso. Talvez calmo demais. Educado demais. No começo, a família Salgado o recebe com a cortesia habitual. Mas, aos poucos, algo se insinua no ar, algo que não pode ser explicado, apenas sentido. O vizinho parece saber exatamente o que cada um precisa ouvir. Às vezes, sua presença é reconfortante; outras, faz o estômago revirar sem motivo aparente. Ele nunca faz nada alarmante. Nunca diz nada ameaçador. Mas, quando ele olha, ninguém consegue desviar o olhar. Sofia, a filha adolescente, sente como se ele enxergasse através dela. Clara, a mãe, percebe que ele sempre aparece nos momentos certos-ou errados. Miguel, o pai, luta contra a sensação de que algo está fora do lugar, mas não consegue apontar o quê. Já o pequeno Lucas... bem, ele diz que o vizinho nunca pisca. Os dias passam. Pequenos detalhes se acumulam. A tensão cresce. Nada acontece-e, ainda assim, tudo parece prestes a acontecer. Então, uma noite, algo acontece. Mas quando tentam falar sobre isso... ninguém consegue concordar com o que viram. E, pouco a pouco, a pergunta se instala na casa, nos sonhos, nos ossos: Quem, ou o quê, realmente vive na casa ao lado?

More details
WpActionLinkContent Guidelines