''Adélia, fel dos meus dias infindáveis. Tornar-me-ei digno do teu amor, da tua promessa de vida eterna, de tê-la sob meus dedos e sob meus cuidados. Adélia, és tão amável, feito um rouxinol quando se cala. Tua voz é o que estraga. Eu devia controlá-la ao ponto de não ouví-la mais. Meu pequeno rouxinol dos lábios arroxeados, tudo que faço é por você.''
Pierre Levi é um estudante de psicologia que teve desde pequeno suas motivações bem claras: entender o ser humano para não ser abandonado novamente como fora pelo seu pai. Em uma noite cálida, conhece Adélia, a alma mais livre que ele acreditava existir. E como sua pequena coleção de borboletas enjauladas, sufocadas e mortas, ele tentaria controlá-la. Motivado pela religião e a distorção de suas tradições, ele compreendia Adélia como um enigma a ser resolvido, como um amor a ser cativado.
Adélia é uma poetisa no auge dos seus dezenove anos. Expulsa de casa aos dezesseis anos, teve que fazer de tudo para manter-se viva num mundo cruel, mas nunca perdendo o infinito brilho dos olhos. Uma alma livre, poética, apaixonante. Como havia escrito em um de seus cadernos: anseio por ser vista, por ser pintada, por ser amada.
No caos urbano de São Paulo, as vidas entrelaçam-se. Um controlador nato e uma vítima em potencial. Pierre faria qualquer coisa para tornar Adélia somente dele. Qualquer coisa.
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