O amargo dos cristais de gelo

O amargo dos cristais de gelo

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Meus lábios tentavam soprar lufadas de ar quente sobre as palmas gélidas, conforme mais fractais de neve a tocavam. O impassível frio tinha me enrijecido no fino cobertor com furos. Alguns papelões de mercado me serviram como colchão e como uma tentativa de erguer uma cabana; não adiantou, pois as brisas gélidas fizeram decair o bloco transpassando do corpo anêmico à fina e quebradiça coluna espinhal. A coluna paralisou, mas os involuntários tremores se tornaram mais agudos... (continua) No natalino mês de dezembro de 2018, havia escrito o conto. Demoraram 4 anos até que eu tivesse coragem de postar em alguma plataforma.
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Jake Imagine você, seus amigos e uma das praias mais bonitas do mundo. Um azul reluzente e borbulhante quebrando ao horizonte, acompanhado do fascínio som das gaivotas que vez ou outro interrompem uma risada calorosa. Drink na mão, chinelo no pé, peito ao vento e... Neve? - Arrgg! Droga de Natal. Não, eu não estava na praia. Estava na pior, literalmente na pior, tipo fundo do poço, mas também estava no lugar mais estranho da minha vida. Mofo subias pelas paredes e dezenas de caixas preenchiam o armazém abafando as vozes que vinham de fora. Era Natal e não... Eu não estava curtindo minhas férias preciosas. Estava preso, enclausurado em um cubículo mal cheiroso e ridiculamente enfeitado com guirlandas, cheio de garotos punks. Viva o prazer natalino de estragar os meus sonhos. Obrigada Noel! Lucy Uma tormenta que demorará de passar, pelo menos 3 meses. Quem inventou essa coisa de inverno? Minhas mãos não flexionavam mais, meus cílios e sobrancelhas estavam petrificados. É... eu era um picolé gigante em uma fila que dobrava quarteirões no mês de Natal. A iminente falência dos meus órgãos pelo frio não era nada se comparada a minha companhia. Garotos punks - nem um pouco preparados para o frio, diga-se de passagem - pessoas de idade, homens vestindo alumínio e mulheres carrancudas à lá bibliotecárias. Todos alinhados perfeitamente em fila indiana. Ah! E também tinha o Jebb. Droga, detestava o Jebb... Uma tempestade se aproximava. Não uma nevasca... mas uma tempestade que apenas o Natal poderia me proporcionar. Daquele tipo que te deixa de ponto cabeça e de cabelo em pé. A tormenta se aproximava ao caminhar da fila e eu sabia que assim que chegassem ao fim, tudo mudaria.

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