Verônica

Verônica

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WpMetadataNoticeLast published Wed, Jan 19, 2022
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Fiction
Romance
- Por obséquio, dê-me as luvas! Luvas essas de linhas trançadas Aquecem meus membros mais frágeis nessa noite de Julho Sinto o calor de uma mão em meu ombro direito, Ao solar das botas eu ouço alguém se aproximar Era Carlos, moço de barba feita, olhos esverdeados e sorriso largo. Me entregou um bilhete em papel machê cor de café, Que não pude abrir na hora. Lhe vi no bosque, andando em sonambulismo Casaco amarrotado e encardido faziam notar os dias de amargura. A caminho de um cemitério recém inaugurado ele ia ao encontro de alguém, Penso na estranheza da situação e um leve calafrio repousa em minha pele. Chegando em casa, abro o bilhete que Carlos escrevera: _Estou fadado a essa maldição, maldição que me faz levantar todos os dias na boca da noite para uma encontro em sigilo. Peço que me perdoe, principalmente por jogar tal fardo em tuas costas. Mas guarde-o para mim, por obséquio! Vou ao encontro de tua irmã Verônica, morena de pele macia que agora fria me desperta desejo. Com uma pá prateada, enferrujada, cabo em cédro, Escavarei a procura do meu amor tárdio Que nessa lua, será um corpo só meu. Te conto isso não para interromper tuas noites de sono Mas para que me acorde de mais um sonambulismo noturno e me ajude contra esse sofrimento pacífico que sinto
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Nascida do sangue de sacrifícios, forjada no pecado da ira, ela ergueu-se das cinzas do inferno para desafiar a divindade dos céus - onde anjos e deuses aplaudem o entretenimento, enquanto demônios e almas sem rótulo sangram por espetáculo. Mas o que não foi destruído... aprendeu a devorar. Criada entre igrejas que exalam hipocrisia e mansões que escondem cadáveres sob o mármore, ela é filha de um mafioso que nunca a reconheceu - e de um padre que pregava o inferno enquanto abusava da fé. Ela não pertence ao céu nem ao crime. É um erro que respira entre mundos que tentam silenciá-la. Entre bailes mascarados e arenas subterrâneas onde a elite bebe o sangue dos pobres como vinho raro - foi onde ela foi nomeada como maldição. Enquanto os abastados vestem ternos manchados de inocência e assistem crianças morrerem como parte de um espetáculo financiado por aplausos, ela jurou vingança. Uma vingança. E ela queima. Dizem que o universo liga almas gêmeas por fios vermelhos invisíveis. Mas o dela foi cortado à força - e amarrado ao coração do próprio Diabo. Um coração que pulsa no peito dela como maldição viva. E o dele? Ele carrega o coração dela... rasgado, dilacerado, ainda sangrando dentro do corpo morto que se recusa a apodrecer. E no meio do caos, há ele. Olhos de abismo, alma de veneno - um rei criado para destruí-la. Mas ele a deseja como se o inferno fosse pouco. Entre eles, nasce um amor doentio, ardente, feito de promessas quebradas e beijos que sangram. Não há salvação. Só obsessão. Fome. Ruína. Ele é a lâmina que corta em silêncio, o próprio diabo em forma de tentação. Mas ela... ela é o veneno que mata devagar - mais letal que o desejo, mais antiga que o pecado. Ela é Lilith. Ela não quer tronos - quer ruínas. É o nome gravado nas cinzas de um mundo que ela mesma queimou. É a queda de dois demônios que preferiram o abismo à salvação. Juntos, incendiaram o mundo - e chamaram isso de amor.

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