Epílogo: Início de tudo O silêncio sempre chegou antes de tudo. Antes das pessoas, antes das palavras, antes mesmo das explicações. Para Any Gabriely o mundo não se anunciava com sons, mas com movimentos sutis: o balanço das árvores, o fechar de um portão, a vibração leve que atravessava o chão . Naquela casa, a varanda era seu refúgio. Dali, ela observava a rua como quem guarda segredos , não por escolha, mas por natureza. O silêncio não a incomodava, o que a inquietava eram os olhares que passavam sem ver, as vozes que falavam sem esperar resposta. A casa ao lado permanecia vazia havia tempo demais. Janelas fechadas, portão imóvel, uma presença ausente que Any aprendera a ignorar. Até o dia em que algo mudou. Ela não ouviu a mudança. Ela a sentiu. Uma vibração estranha no ar, um movimento fora do ritmo habitual. O mundo, que até então seguia previsível, parecia preparar algo como se estivesse prestes a quebrar o próprio silêncio. Any ainda não sabia, mas aquele instante guardava o começo de uma história que nasceria do erro, do gesto e daquilo que nunca precisou de som para existir. E, do outro lado da rua, alguém se aproximava.
Más detalles