Eu tive que o odiar para me amar.
Eu tive que deixar meu coração nas mãos de outro para que ele parasse de bater por alguém que não me ama. Depois que quebrei regras por alguém que não faria o mesmo por mim, fugi de um amor que não me fazia bem. Mas agora, nos braços de alguém que me queira como eu queria que ele o fizesse, eu me pergunto: eu desviei de uma bala ou perdi o amor da minha vida?
Seria uma mentirosa se dissesse que não sinto falta dos seus beijos, das suas doces mentiras sussuradas em meu ouvido, cantigas de promessas que jamais foram cumpridas. Mas onde você estava quando eu mais precisava de você?
Onde eu estou agora que ainda não consigo deixar de amar você?
Carlos e Virginia já foram sinônimo de casa um para o outro.
O tipo de amor que nasce na inquietude da juventude, cresce entre despedidas e reencontros e, um dia, se perde no barulho do mundo. Ele seguiu o destino que sempre soube que teria, colecionando vitórias e cidades que nunca foram lar. Ela aprendeu a existir sem ele, mesmo que seu nome ainda ecoasse nos espaços vazios da memória.
Anos depois, o acaso os reúne em um momento inesperado, trazendo à tona tudo o que ficou suspenso no tempo-os olhares que disseram mais do que as palavras, os silêncios que gritaram o que nunca tiveram coragem de admitir. O que restou entre eles? Apenas lembranças ou a centelha de algo que nunca deixou de existir? Algumas histórias são escritas para durarem uma vida inteira, outras para arder intensamente antes de desaparecer.
Carlos e Virginia precisam descobrir em qual delas pertencem.