Justice

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Dec 1, 2022
Celestia Napier passou a vida ao lado da talvez única pessoa no mundo que ainda acreditava na esperança de que o homem que um amou, voltaria a ser quem era. Mas ela não conseguia ver o mundo por sua lente florida. Porque Celestia sempre soube que o pai que amara um dia estava morto, e ela nunca o teria de volta, não importa o quanto doesse. Porque Jack Napier morrera com todos os seus sonhos e promessas naquela fábrica. Celestia Napier passou toda a sua vida sabendo que era seu dever dar a alma de seu pai o fim que merecia, e que era sua obrigação trazer justiça a todas as famílias das vítimas que ele fizera enquanto fora obrigada a se esconder como uma covarde. A única coisa que sempre lhe impedira fora a dor que o fim dessa fútil esperança causaria a mãe que sempre fizera tudo por ela. Mas sua mãe não estava mais aqui para sofrer por ele. Era hora de voltar pra casa .
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Depois de quase vinte anos longe, Agatha se vê novamente no caminho de casa que deixou para trás. Partiu como uma jovem cheia de sonhos e agora retorna à beira dos quarenta, carregando frustrações e angústias que jamais imaginou. A morte de Javier Vidal, que sempre foi um pai, a obriga a voltar para a cidadezinha em que crescera, mas o verdadeiro tormento não tem anda a ver com essa perda e sim com os fantasmas do passado, especialmente Rio. Agatha e Rio eram inseparáveis. Cresceram juntas, dividiram tudo e foram o primeiro amor uma da outra, como em um conto de fadas, aquelas histórias em que, ainda na infância, as almas gêmeas se entrelaçam. Mas enquanto Rio amava a vida na fazenda, os cavalos e o aconchego da cidade pequena, Agatha queria o mundo; sonhava com tribunais, livrarias imensas e cidades desconhecidas a serem exploradas. No fim, ela foi embora e Rio ficou. Agora, ao retornar à sua cidade natal, Agatha se vê forçada a encarar não apenas as consequências do que escolheu para si, mas principalmente, daquilo que abriu mão. Rio também mudou. O tempo e a dor a fizeram crescer, ela ficou, mas não é a mesma pessoa. Apesar de compartilharem a cicatriz de um amor que um dia acreditaram ser tudo, nenhuma das duas é mais a mesma pessoa. Elas não se conhecem mais. O que dói mais? O passado que deixamos para trás acreditando num futuro incerto cheio de sonhos e expectativas? O tão esperado presente que se revelou angustiante, sem ter nada do esperado? Ou o peso de olhar nos olhos de alguém e perceber que todo o seu futuro, toda a sua vida, poderia ter sido diferente? A pior parte é que a resposta para todos esses questionamentos se desdobra em outro: como fazer com que tudo seja diferente agora?

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