A Cidade de Cristal, um mito de quase um oitocentos mil de anos, diversas histórias haviam sido contadas sobre o tal lugar.
A cidade da lenda das quatro irmãs, a história que vendeu para todos os mestiços e desajustados de Avyanna o sonho de, algum dia, encontrar um lugar para chamar de seu, um lugar onde eles não seriam a escória da sociedade.
A Cidade Mestiça.
Muitos passavam a vida atrás da cidade, mas ela era considerada, por muitos, irrastreável, já que mudava de lugar a cada seis horas. Aqueles que a encontrassem, seria por pura sorte. Supunha-se que os próprios deuses eram aqueles que a moviam, por conta do tanto de poder que deveria ser necessário para mover uma cidade inteira, dando assim, a chance para aqueles que o destino eles ditaram, de fazer a diferença naquele suposto paraíso.
Só que muitos acabavam se esquecendo de que os deuses nem sempre foram bons, e que nem sempre as expectativas seriam atingidas.
Quem sabe, no início, quando a cidade não havia sido corrompida pelos desajustados e inúteis, realmente fosse um bom lugar, mas não são os lugares que formam as pessoas, são as pessoas que formam as pessoas, e que assim, formam os lugares.
Em um reino onde palavras queimam mais que fogo e segredos são sentenças de morte, Elara carrega pensamentos que podem abalar fundações de uma fé oficial e despertar forças adormecidas. Marcada por um passado que é rasgado em sua memória, ela caminha entre sombras, sem saber esconder aquilo que á muitas mulheres é fatal revelar. Enquanto isso, sobrevive.
Não tão longe, um filho da fé caminha em direção ao mesmo abismo: Thanael, um dos guardiões de uma ordem antiga e rigorosa, começa a duvidar do próprio juramento - e do silêncio de seu Deus. É confrontado com dúvidas e ameaças que abalam sua fé, honra e lealdade. Entre sussurros de conspirações e os ecos de um culto esquecido, seus caminhos se cruzam, tecendo uma trama onde o silêncio e as palavras carregam destinos.
Entre eles - e entre outros que caminham nas frestas do mundo - deslizam outras vozes esquecidas, sombras de destinos que se entrelaçam em uma teia invisível. Traições, segredos e presságios sufocam o ar, enquanto o silêncio, implacável e atento, escuta e aguarda.
No limiar entre a luz que engana e a escuridão que revela, o silêncio escuta - e aqueles que também ousam abrir seus ouvidos mudam o curso da história.
Ou destroem ela.