Onde as Flores Azuis Morrem

Onde as Flores Azuis Morrem

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"Alguns jardins guardam segredos. Outros, apenas o que restou de nós." Este jardim foi o palco de muitas vidas, tanto da nossa quanto da alheia. Ele testemunhou nosso encontro, nossas discussões, nossas falhas e o florescer do nosso amor. Mas, acima de tudo, ele presenciou o nosso fim. Este lugar era um reflexo de mim mesmo; e, tal como ele, fui deixado para trás. Não buscarei um culpado para a nossa história, nem depositarei sobre você o peso do que aconteceu. Mas quero que saiba: eu esperei. Esperei até o último minuto. Esperei até que as flores murchassem, até que o amor morresse... eu esperei. Ele se via como um monstro, alguém que só conseguia amar de longe por medo de que seus próprios espinhos ferissem o outro. Ela era o sorriso que ele não ousava acreditar. Entre flores azuis e segredos guardados a sete chaves, nasceu uma história sem culpados, mas repleta de cicatrizes. Em uma narrativa visceral sobre isolamento e a dificuldade de ser honesto com quem amamos, acompanhamos o florescer e a destruição de um santuário pessoal. Uma história para quem já esperou por alguém até que a última pétala caísse, apenas para descobrir que fugir ou esquecer era a única saída.
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Você não queria estar aqui lendo esse monte de merdas; e, talvez, eu também não queria ter escrito essas coisas. Porque se existisse algo que fizesse-nos sentir úteis, a mísera possibilidade de possuir essa coisa, de bom grado, estaríamos doando até a nossa alma, ou o que restou dela. Não estaríamos perdendo tempo lendo essas coisas. Por favor, caro leitor, não demonizem os meus pensamentos, nem as minhas lembranças. O diabo é coisa séria, e eu não ousaria brincar com alguém que sente prazer em ter a companhia de outras pessoas; mas também é preciso ter o mínimo de decência, e vocês hão de concordar comigo, não é preciso trazer a tona a sua moralidade religiosa, subjugar palavras de um tolo que não tem nada para lhes oferecer. Eu tenho uma cabeça doente, a minha alma foi forjada pelo fogo da tristeza e da solidão. Isto não é um manifesto contra toda a distopia criada pela minha memória. São, apenas, palavras. Palavras soltas tentando remontar a minha memória; essa, sempre desconexa, que coexiste pelas lembranças de um passado desordenado, um presente difuso e um futuro, indecentemente, incerto. Hoje, eu já não sei mais o que eu sou, mas, um dia, eu já fui o Esteban.

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