Midnight

Midnight

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Oct 26, 2023
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Fiction
Romance
Desde que eu me lembro, eu faço tudo para outras pessoas. Eu sempre me preocupei tanto com todos à minha volta, sempre fiz tudo o que pude por eles e para eles. A minha arte, a vida inteira nunca foi minha, nunca pertenceu a mim, tudo que fiz e tudo que ainda faço, desenhei a outras pessoas, fiz pinturas para outras pessoas, dediquei poesias feitas por mim, mas que nunca foram minhas. Tentei ao máximo agradar, me moldei ao máximo para cada um que já conheci, fiz de mim um boneco em branco e me deixei ser preenchido em cores pela imaginação de outras pessoas. Carrego comigo um pouco de cada pessoa que já conheci É meu carma, minha própria maldição Sou preenchida por todos que passaram por mim, sou repleta por eles, repleta de memórias ruins e repleta de memórias boas que são mais cruéis ainda. Me doei para cada um que eu conheci e perdi uma parte de mim, sou uma linha em branco, um esboço, tantas vezes colorido, tantas vezes pintado de branco, fui tantas vezes traçado e mais vezes ainda apagado; Sou eu uma arte interminada, uma tela indefinida começada e esquecida por alguém, jogada de pessoa em pessoa, de artista em artista. Escreveram em mim cartas, pinturas, danças, esboços, desenhos, músicas, versos poemas e poesias, fizeram de mim sua obra de arte, a obra da qual todos desistem.
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Escrevi cartas quando não havia mais ninguém para ouvir. Escrevi porque doía demais guardar tudo só pra mim. Escrevi para o amor que partiu, para o que não chegou, para o que nunca existiu de verdade... e, acima de tudo, escrevi para o amor que um dia fui capaz de sentir - mesmo quando não havia retorno. O amor que, no fim de tudo, sempre esteve em mim. Entre páginas não lidas e amores não correspondidos, nasce um livro feito de confissões, saudades e silêncios. Cartas de um amor desconhecido: todas as vezes que escrevi para o amor, reúne cartas reais escritas por alguém que amou com toda a alma, mesmo quando o outro já não estava mais lá. Não são cartas para serem respondidas - são desabafos de quem sobreviveu à ausência e transformou a dor em palavra. Se você já amou alguém ao ponto de se perder, talvez se reconheça aqui. E, se ainda não se encontrou, talvez essas cartas possam te guiar de volta porque, às vezes, a gente só precisa escrever para continuar existindo.

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