Em um mundo submerso, os oceanos separam o finito e o infinito, divididos pela luz do sol. Aquilo que alcançava o sol, encontrava seu fim. Ao mesmo tempo, tudo o que não a encontrava, estava condenado a existir para sempre.
Advindos do medo do mar de séculos, há uma espécie de demônios, os quais foram denominados pelos homens de Leviatãs. Como quaisquer criaturas colossais, donas de um corpo extenso, pesado e assustador, eles foram caçados por quem os criou e fugiram para as profundezas do mar, onde se abrigaram, atormentados e quase sem comida.
Anos se passaram desde o dia em que todos fugiram para as profundezas e para sobreviver, um deles guardava um ódio profundo dos humanos e seu nome era Nexxus. Nexxus era um demônio leviatã, uma entidade maligna impregnada pelo ódio e sua imponência é inquestionável e qualquer arma humana se torna inutilizável, assim como seu portador, em um único combate contra o maior predador dos mares.
"Ninguém é bastante ousado para provocá-lo; quem a ele resistiria face a face? Quem pôde afrontá-lo e sair com vida debaixo de toda a extensão do céu? Quem lhe abriu os dois batentes da goela, em que seus dentes fazem reinar o terror? Quando se levanta, tremem as ondas do mar, as vagas do mar se afastam. Se uma espada o toca, ela não resiste, nem a lança, nem a azagaia, nem o dardo. O ferro para ele é palha e o bronze, pau podre".
Um dia, em uma reviravolta inesperada, diz às lendas que esse demônio descobriu como assumir a forma de seus caçadores e simplesmente desapareceu. Sem deixar qualquer rastro, ele se dissolveu na água e agora está camuflado nas sombras líquidas, mantendo sua vingança adormecida e seu coração guardado nas entranhas do mais profundo abismo marinho.
Não aceito adaptações ou plágios, nem qualquer reprodução de meus trechos e tampouco aceito qualquer uso dos personagens os quais estão presentes na obra ou da imagem de minha capa, pois tudo foi feito de forma autoral.
Os portais se abriram há séculos. Demônios cruzaram. Leis foram criadas. Negócios nasceram.
E no meio disso tudo, os humanos continuaram iguais: comprando, mentindo, explorando, esquecendo.
Caël era invisível. Um corpo inútil num sistema que tritura gente como ele todos os dias. Até que algo raro - sangue de outro mundo - se misturou com tudo o que ele já havia perdido. E aquilo que nasceu não era humano. Nem demônio. Era um vetor.
Ele não quer salvar. Ele quer expurgar.
Com ataques brutais transmitidos ao vivo e uma doutrina violenta que se espalha como uma praga, Caël vira manchete, vira símbolo. E enquanto a mídia tenta retratá-lo como monstro, uma parte da sociedade começa a aplaudir.
Porque talvez seja isso que sempre quiseram: ver o sofrimento mudar de endereço.
Neste romance sujo e sem piedade, o leitor é forçado a olhar para o que alimenta os monstros: o silêncio, o medo, a sede por vingança - e a cumplicidade de quem escolhe assistir tudo de longe, com os olhos grudados na tela.
Afinal, qual o limiar entre punição e tortura?
E quantas vidas inocentes cabem num grito coletivo de aprovação?