Esta é uma história de muitas histórias. Histórias declaradas, histórias ocultas nas entrelinhas, nas palavras ditas veladamente, às ocultas do leitor, onde a realidade de uma hipotética cidadezinha agrícola, em algum ponto do Norte do Paraná, surge em pinceladas rápidas, mas reveladoras, enquanto se acompanha a saga do velho Cido e das personagens que giram ao seu redor. A narrativa flui sob pontos de vista inesperados, retratando cenas inesperadas, que são mais um resgate de um passado não muito distante, mas devorado pelo "progresso" e pela modernidade e já desconhecido das novas gerações. A tradição oral, o confronto entre o passado e o presente e as cenas de uma fazenda de café servem de pano de fundo para o drama interior das personagens, assombradas por seus fantasmas interiores, convivendo com eles ou exorcizando-os. Desfilam personagens que mesmo não sendo caracterizadas, delineiam-se no recurso expressivo do diálogo. A sexualidade implícita exibe-se em seus extremos e dita as regras do comportamento. Ao fim de tudo, o trágico e sofrido painel de uma ficção que se traveste de reportagem para se transformar numa denúncia cruel mas real de um grave problema social: os boias-frias!
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