Na fazenda, ele sempre foi o irmão mais velho que ela escolheu. Só que irmão não acorda de pau duro pensando no nome da "moleca" que cresceu ao seu lado.
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Joca passou a vida inteira protegendo Maria Letícia. Ela era a sombra dele e dos irmãos, uma menina nada delicada . Bruta, criada na roça , completamente fora do radar dele quando a adolescência chegou, ele queria outras mulheres, e ela continuava sendo só a "pirralha" que não fazia seu tipo.
Até ela ir fazer faculdade.
Quando Maria Letícia volta, seis meses depois, o chão de Joca desaba. A postura mudou, a cabeleireira loura cai solta, a confiança transborda. Mas o pior e melhor é que ela ainda o trata como se fosse sangue do sangue dela. "Mano". A palavra que ela usa pra mantê-lo na zona de amizade eterna, enquanto ele começa a enxergar, pela primeira vez, a mulher que sempre esteve escondida debaixo daquela casca grossa.
Agora, ele vive um inferno particular: ouvir ela contar sobre os caras da faculdade, ver ela mexer no cabelo na varanda, sentir o cheiro dela quando ela o abraça sem malícia. Cada "mano" é uma facada. Cada sorriso é um convite que ela não sabe que faz.
Ele sabe que tentar um beijo pode custar uma cabeçada no nariz, igual ela deu naquele moleque na porteira anos atrás. Mas o irmão mais velho que ela inventou na cabeça dela já morreu. Quem vive agora é um homem obcecado, disposto a quebrar a amizade de uma vida inteira, sujar as mãos de ciúme e tomar quantos golpes forem necessários pra finalmente fazer Maria Letícia enxergar que o protetor dela sempre foi, na verdade, o homem da vida dela.
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