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Os Puros
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WpMetadataNoticeLast published Wed, Feb 14, 2024
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Fiction
Fantasy
Serena e Ágatha nasceram com um único propósito, passar em diante a tradição e a linhagem Martell, feitas para a dor, criadas ao sangue, e amaldiçoadas pelo destino. Na cidade pequena de Derbent na Rússia, nasceram duas crianças, os cabelos brancos quase translúcidos refletiam a luz da lua, que brilhava cheia no topo, as pequenas criaturas ainda que idênticas, eram claramente diferentes, a que nascera por ultimo, parecia desejar incessantemente retornar a paz do ventre materno, o choro angustiante ecoava afastando todas as sombras que jaziam silenciosas na floresta, os olhos azuis, estavam avermelhados e arregalados, as pequenas mãos balançavam enquanto a criança se esperneava em desespero, o reflexo do completo oposto da primeira a nascer, que curiosa e silenciosamente, havia aninhado-se tranquila aos lençóis ensanguentados que a cobriam, observando encantada a luz da lua que iluminava o céu noturno, as gêmeas, haviam nascido com saúde, idênticas em aparência, exceto por um único olho da mais velha, que diferente da caçula, tinha as íris em um branco leitoso, quase mercurial, onde desde nascença, a visão lhe fora comprometida.
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Duas almas atravessam o véu entre os vivos e os mortos no mesmo minuto, segundo e hora. Do mesmo dia, mês e ano. Sob a luz de uma lua de sangue. Uma delas segue o seu caminho e encontra a eternidade. A outra, com sede de sabedoria mesmo na morte, observa sua contraparte atravessar, mas ela não segue o mesmo caminho. Em vez disso, a alma curiosa, se aproxima do local de onde a outra veio, ela não vê muito, está turvo, como se estivesse debaixo d'água. A alma estende a mão, ela não consegue puxar de volta. Se ainda tivesse um corpo físico ela estaria franzindo as sobrancelhas enquanto faz força para soltar a mão de sua prisão invisível. A alma desiste. Ela se aproxima mais e passa uma perna, depois outra e então a cabeça. Derrepente, a alma esta sendo puxada, ela não sabe oque é aquilo ou como parar. Então ela flutua e flutua enquanto é arrastada pelo nada. E então tudo para. Ela sente dor, seu corpo todo protesta. Seu estômago geme de fome e ela não consegue respirar. Dois olhos cinzentos se abrem para a escuridão, apenas uma luz avermelhada iluminando o lugar, ela grita.

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