Hipernarrativa B

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WpMetadataNoticeDernière publication lun., mars 11, 2024
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Fiction
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Enquanto você se chama Estrela, observa, sentada na borda da cama, a moça negra que dorme. Você a conheceu há umas oito horas, na festa da empresa de telefonia. Mas nunca a tinha visto no trabalho. O rosto é bonito, com uma pele que denuncia honestamente os trinta anos, os lábios grossos, e a sobrancelha fraca. A cor: há algo de veludo e de café na cor da moça que dorme. A luz que a manhã faz entrar pela janela do apartamento permite que você note os mínimos pelos que se distribuem aqui e ali. Você vê bem de perto os cabelos fortes e volta a sentir o cheiro que descobriu na festa...
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Rora sempre foi certinha. Namorado perfeito, vida planejada, tudo nos eixos. Até Asa aparecer. Asa, com aquele sorriso preguiçoso e olhar cheio de promessas. Asa, que pegava quem quisesse, quando quisesse, e não tinha problema algum em cruzar limites. Quando Rora descobre que o namorado dela foi só mais um na lista de Asa, a raiva deveria ser o sentimento mais forte. Mas não é. É o desejo que Asa provoca só com um olhar nos corredores da escola. É o arrepio que sobe pela espinha quando Asa encurta a distância, com aquele jeito insolente e uma malícia que transborda. A primeira noite deveria ter sido um erro. Um momento impulsivo que Rora jurava nunca repetir. Mas a boca de Asa era doce, seus toques firmes, e o jeito como ela sussurrava no ouvido de Rora fazia qualquer racionalidade evaporar. E então veio a segunda noite. E a terceira. Até que Rora parou de contar. Entre corpos entrelaçados e desejos que transbordam em cada toque, Asa faz Rora se perder de si mesma, descobrir um lado que ela nunca imaginou existir. Asa não promete nada - nunca promete - e ainda assim, Rora se vê implorando por mais. Mais do gosto de Asa, mais das provocações, mais das noites que deixam marcas invisíveis na pele e na alma. Nos corredores, nos banheiros vazios, em cada encontro proibido, a tensão cresce. Rora sabe que está brincando com fogo, mas quando Asa a puxa pra perto, sussurrando com aquela voz rouca e cheia de intenções, como resistir? No fim, o pecado nunca foi tão tentador.

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