Falam que os japoneses costumam ser reservados, tímidos e educados.
Bom, meus pais costumam seguir essa tradição, mas eu não via tanta necessidade assim, já que não estávamos mais em nosso país de origem. E mesmo se tivéssemos, eu jamais saberia me expressar com plenitude, eu sempre tinha uma careta para demonstrar o que eu estava sentindo ou tinha uma frase impulsiva que viesse à tona num momento estressante. E ouvir desaforo de pessoas que nem me conheciam, eu não era obrigada a ficar quieta quando alguém viesse me xingar ou me dizer coisas que não cabiam a minha pessoa.
Conhecer gente nova e fazer amizades, principalmente em lugares onde ninguém se imagina tendo uma conversa interessante, era o meu maior forte.
Uma vez, eu fiz amizade com uma garota muito bonita de cabelos ruivos num festival eletrônico, ela parecia ser holandesa, eu notava o sotaque. Ela me emprestou seu moletom, na qual nunca mais foi devolvido porque nunca mais nos encontramos, obviamente, após um imbecil esbarrar e derramar bebida em mim. Conversamos tanto naquela noite. Descobri que ela tinha se separado do noivo, porque o mesmo a tinha traído e que a melhor amiga dela, ajudou-a e elas acabaram se apaixonando. O que me fez pensar, por que não fazer um filme com essa história?
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