Falam que os japoneses costumam ser reservados, tímidos e educados.
Bom, meus pais costumam seguir essa tradição, mas eu não via tanta necessidade assim, já que não estávamos mais em nosso país de origem. E mesmo se tivéssemos, eu jamais saberia me expressar com plenitude, eu sempre tinha uma careta para demonstrar o que eu estava sentindo ou tinha uma frase impulsiva que viesse à tona num momento estressante. E ouvir desaforo de pessoas que nem me conheciam, eu não era obrigada a ficar quieta quando alguém viesse me xingar ou me dizer coisas que não cabiam a minha pessoa.
Conhecer gente nova e fazer amizades, principalmente em lugares onde ninguém se imagina tendo uma conversa interessante, era o meu maior forte.
Uma vez, eu fiz amizade com uma garota muito bonita de cabelos ruivos num festival eletrônico, ela parecia ser holandesa, eu notava o sotaque. Ela me emprestou seu moletom, na qual nunca mais foi devolvido porque nunca mais nos encontramos, obviamente, após um imbecil esbarrar e derramar bebida em mim. Conversamos tanto naquela noite. Descobri que ela tinha se separado do noivo, porque o mesmo a tinha traído e que a melhor amiga dela, ajudou-a e elas acabaram se apaixonando. O que me fez pensar, por que não fazer um filme com essa história?
Entre cinzas ardentes, fumaça sufocante e almas reduzidas ao nada... Ele veio.
Veio com aquele maldito sorriso cínico...
O sorriso de quem vence, de quem nunca perde.
E então, sem hesitar, arrancou minha filha dos meus braços.
Naquele instante, a perdi para sempre.
Me deixou jogado entre os escombros, sangrando, morrendo em vida.
Ele levou minha filha.
Depois disso, me acorrentou. Por anos.
Eu fui esquecido... Ninguém mais se lembra de mim.
Somos feitos da mesma matéria, Estados Unidos da América...
A diferença é que você teve o luxo de se fingir de herói.
Mas é igual a mim. Tão terrível quanto a mim.
Acho que combinamos.